(CACD 2025) item 14 - (Língua Portuguesa). No quinto e sexto períodos do segundo parágrafo, a

Enunciado:

Após as experiências históricas do século passado, na psicanálise, no estruturalismo lévi-straussiano, na semiologia, no pós-estruturalismo, não há mais plausibilidade para se pensar em um homem típico do século XIX. Um ser livre e racional, que se definisse por suas necessidades materiais e que agisse movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades. Tudo muito coerente, porém, ficcional. A pessoa que pensamos desde o final do século XX é muito outra. Mais ambígua e inconsistente, não age por um querer, mas por um agir reativo ao seu meio em confronto com suas vivências culturais. Atende a necessidades — materiais — e a “necessidades” simbólicas, isto é, a desejos. Pensamos a pessoa como um ser simbólico e desejante, uma estrutura movida por algo bem mais complexo do que aquelas simples e racionais consciências racionais. Movimenta-se por algo que vai além dos mecanismos biológicos. O desejo abarca a necessidade.

Cada pessoa é uma entidade eminentemente simbólica, desejante. Move-se por seus desejos, expressa seus desejos, deseja mediante a expressão simbólica. Fala por significações desejantes. Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem, enlaçado socialmente pela linguagem. Não uma linguagem como mera transmissão de ideias que já estariam na mente individual. Não uma linguagem que estaria meramente expressando e comunicando pensamentos que a antecedem, mas uma linguagem como produção, como processo de produção de ideias e desejantes. Uma linguagem considerada como laço societário. Como algo que une um humano a outro, ou que faz humanos e, assim, os torna pessoas simbólico-desejantes. São sujeitos sujeitos à linguagem. Cada pessoa fala seus desejos e se torna sujeito desses desejos que a sujeitam.

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os seguintes itens.

Texto do item:

No quinto e sexto períodos do segundo parágrafo, a repetição do trecho “Não uma linguagem como” é recurso usado para reforçar que a linguagem de um ente “enlaçado socialmente pela linguagem” (quarto período do segundo parágrafo) é diferente da linguagem do homem “que age movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades”, mencionado no segundo período do primeiro parágrafo.

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Gabarito sugerido: C
Nos dois períodos mencionados, a anáfora “Não uma linguagem como” funciona como estratégia de negação reiterada do modelo tradicional de linguagem – entendido como simples veículo de pensamentos já formados –, exatamente o modelo que subjaz ao sujeito “livre e racional” do século XIX, movido por decisões conscientes. Ao repetir a estrutura, o autor reforça a oposição entre essa concepção antiga e a nova concepção de linguagem – produtora de sentido e desejo – própria do sujeito “enlaçado socialmente pela linguagem”. Assim, o propósito apontado na afirmativa corresponde ao efeito real do recurso textual, tornando-a correta.


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