Questão 1 item 6 - (Língua Portuguesa - 1a Fase - CACD 2026). A concordância verbal na primeira oração do penúlt

Enunciado:

Ao reconhecer aos povos indígenas o direito às terras que habitam, a Constituição Federal de 1988 favoreceu processos de demarcação de territórios, que continuam a ser feitos até hoje. Em todas as regiões do Brasil, as reivindicações geraram uma profusão de relatórios, laudos e pareceres, produzidos por grupos técnicos, que realizam os estudos etno-históricos, antropológicos, ambientais e cartográficos exigidos pela legislação. Em cada uma dessas iniciativas, consta um elemento em comum: os mapas. Há representações oficiais, feitas no período colonial, no Império e na República. Há desenhos feitos à mão pelos moradores ou produzidos com a ajuda de sistemas de navegação por satélite, como o GPS, e aplicativos. Por conseguinte, a cartografia vem ganhando importância na área da antropologia, em contextos como a formação de professores indígenas, a demarcação e a gestão ambiental de suas terras, a produção de laudos para a regularização fundiária.
Nas demarcações, tem sido fundamental a cartografia histórica, sobretudo para a análise de mapas produzidos na segunda metade do século XVIII, após a assinatura do Tratado de Madrid, que delimitou os territórios pertencentes a Portugal e Espanha na América do Sul, em 1750, afirma a historiadora Íris Kantor. “Nesse período, os mapas foram confeccionados por expedições militares e científicas que visavam urbanizar os indígenas, além de terem facilitado a construção de fortalezas, a instalação de registros fiscais e o reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais. Hoje, a disponibilização da cartografia digital em alta resolução e a catalogação dos espécimes cartográficos permitem fazer um uso ‘contra colonial’ desses suportes de informação geográfica bidimensionais”, afirma. Além disso, o uso dos mapas históricos exige conhecimentos variados. Eles são classificados segundo critérios como o suporte material, a linguagem gráfica e o público destinatário. Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região. Esse método requer o conhecimento da história das línguas indígenas e suas interações com as línguas dos colonizadores.

Diego Viana. Quando o mapa é o território. In: Pesquisa FAPESP, maio 2023, ano 24, n. 327, p. 74-79 (com adaptações)

Em relação às ideias e aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os itens seguintes.

Texto do item:

A concordância verbal na primeira oração do penúltimo período do texto se justifica pelo fato de o sujeito estar estruturado por coordenação alternativa.

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CERTO

Identificação do trecho em análise

O penúltimo período do texto é:

“Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região.”

A primeira oração desse período tem como núcleo verbal “possibilita” (no singular), e o sujeito é “a presença ou ausência de topônimos nos mapas”.


Análise da concordância verbal

1. Natureza da coordenação no sujeito

O sujeito é composto por dois núcleos — “presença” e “ausência” — ligados pela conjunção “ou”, que é uma conjunção coordenativa alternativa. Trata-se, portanto, de um sujeito composto estruturado por coordenação alternativa, exatamente como afirma o item.

2. Regra de concordância com “ou” de valor excludente

A gramática normativa distingue dois valores para a conjunção “ou” na concordância do verbo com sujeito composto:

  • “Ou” inclusivo (adição/retificação): quando os dois núcleos podem, simultaneamente, praticar a ação → verbo no plural.
  • “Ou” exclusivo (alternância/exclusão): quando apenas um dos núcleos pode praticar a ação de cada vez → verbo no singular.

No caso em tela, “presença” e “ausência” são conceitos mutuamente excludentes: se há presença de topônimos, não há ausência, e vice-versa. Portanto, o “ou” tem valor de exclusão. Essa exclusão mútua justifica plenamente o verbo no singular (“possibilita”), pois se entende que um ou outro fenômeno (nunca ambos ao mesmo tempo) é que possibilita a reconstituição.

3. Fundamento doutrinário

Conforme ensinam gramáticos como Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) e Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), quando o sujeito composto é formado por núcleos ligados por “ou” com ideia de exclusão, o verbo concorda com o núcleo mais próximo ou fica no singular, pois a ação é atribuída a apenas um dos elementos.


Conclusão

A afirmativa está CERTA. O verbo “possibilita” (singular) concorda corretamente porque o sujeito “a presença ou ausência de topônimos” está estruturado por coordenação alternativa (conjunção “ou” com valor excludente), o que autoriza — e até recomenda — a flexão verbal no singular.


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.

Certa. O verbo está empregado corretamente no singular, pois os pares que formam o núcleo do sujeito estão apresentados de forma excludente pela conj. alternativa.