Questão 13 item 73 - (História Mundial - 1a Fase - CACD 2026). A entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial repres

Enunciado:

Desde a Segunda Guerra Mundial, o ordenamento externo do poder norte-americano tem sido, em grande medida, mantido à parte do sistema político interno. Uma perspectiva comum e a continuidade dos objetivos separam a administração do império do governo da terra natal. Até certo ponto, o contraste entre os dois é uma função da distância geral entre o horizonte das chancelarias ou corporações e o dos cidadãos em todas as democracias capitalistas. No caso norte-americano, isso decorre também de outras duas particularidades locais: o provincianismo de um eleitorado com conhecimentos mínimos do mundo externo e um sistema político que — em contradição com os pais fundadores — tem cada vez mais dado um poder virtualmente irrestrito ao Executivo na condução dos assuntos externos.

Perry Anderson. Império. In: A política externa norte-americana e seus teóricos. São Paulo: Boitempo, 2015, p. 11 (com adaptações)

Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue os itens a seguir, relativos à história estadunidense no século XX.

Texto do item:

A entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial representou um consenso do establishment da Costa Leste, composto pelas elites econômicas, políticas e intelectuais do país, que fundiu o nacionalismo isolacionista ao nacionalismo intervencionista, criando condições para o imperialismo norte-americano.

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CERTO.


Análise detalhada

A afirmativa está alinhada com a tese central de Perry Anderson em American Foreign Policy and Its Thinkers (publicado no Brasil como A política externa norte-americana e seus teóricos), que por sua vez se apoia substancialmente na análise de Franz Schurmann em The Logic of World Power.

1. Os dois nacionalismos americanos

Anderson sustenta que uma das duas formas de nacionalismo influencia os EUA: o nacionalismo isolacionista e o nacionalismo intervencionista.
Ele identifica bases sociais e regionais distintas para cada um:
“Traditionally, the strongholds of isolationist nationalism lay in the small-business and farmer population of the Mid-West; the bastions of a more interventionist nationalism – in local parlance, ‘internationalism’ – in the banking and corporate elites of the East Coast.”

Anderson também descreve essa tensão em termos conceituais mais amplos:
desde o início, excepcionalismo e universalismo formavam um composto potencialmente instável. A convicção no primeiro permitia a crença de que os EUA só poderiam preservar suas virtudes únicas permanecendo uma sociedade apartada de um mundo decaído. O compromisso com o segundo autorizava um ativismo messiânico dos EUA para redimir esse mundo. Entre esses dois polos — “separação” e “intervenção regenerativa”, como Anders Stephanson os descreveu — a opinião pública poderia mudar abruptamente.

2. A fusão durante a Segunda Guerra Mundial

A afirmativa corretamente sustenta que a entrada na Segunda Guerra permitiu a fusão dessas duas correntes. Em entrevista, Anderson explicou diretamente esse processo, referindo-se à análise de Schurmann:
ele argumentou que cada corrente tinha uma base político-regional distinta — isolacionismo nas comunidades do Meio-Oeste, intervencionismo nas elites bancárias e manufatureiras da Costa Leste — com frequentes conflitos agudos entre ambas até o final dos anos 1930. Mas no curso da Segunda Guerra Mundial elas se uniram em uma síntese que ele atribuiu — de forma um tanto prematura — a FDR, e permaneceram essencialmente entrelaçadas desde então. A figura emblemática dessa mudança foi Vandenberg, o senador republicano de Michigan, que permaneceu como crítico isolacionista do intervencionismo mesmo por um tempo após Pearl Harbor, mas ao final da guerra havia se tornado um pilar do novo consenso imperial.

3. O establishment da Costa Leste como articulador

A afirmativa aponta corretamente para o papel do establishment da Costa Leste como articulador desse consenso. As elites econômicas, políticas e intelectuais sediadas na Costa Leste — incluindo Wall Street, o Council on Foreign Relations, e as universidades da Ivy League — eram o bastião do nacionalismo intervencionista.
Anderson traça os entrelaçados “impulsos de isolamento e intervenção, orgulho nacionalista e ambição internacionalista” e sua relação com os “interesses gerais do capital nos Estados Unidos.”

4. A criação das condições para o imperialismo

A primeira metade do livro é dedicada a essa discussão, sendo seu argumento principal o de que, desde a Segunda Guerra Mundial, a “intervenção regenerativa” tornou-se o consenso, produzindo assim o império que ainda se pode observar.

Há uma continuidade subjacente no longo arco do imperium americano, que se estende de FDR a Obama.

Síntese

A afirmativa reproduz com fidelidade a tese de Anderson (e de Schurmann): a Segunda Guerra Mundial foi o catalisador que permitiu ao establishment da Costa Leste articular uma síntese entre o nacionalismo isolacionista e o intervencionista, formando um novo consenso bipartidário que sustentou a construção do império americano no pós-guerra. A conversão de figuras como o senador Vandenberg — de isolacionista ferrenho a pilar do consenso imperial — é o exemplo paradigmático dessa fusão. A partir desse momento, a “intervenção regenerativa” tornou-se a orientação dominante da política externa norte-americana, e as estruturas imperiais criadas desde então — bases militares, alianças, aparato de vigilância — nunca foram retraídas, mas sim expandidas.


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.

O objetivo da banaca era explicar o abandono do isolacionismo ideológico em meio ao avanço do Eixo na Segunda Guerra Mundial

1 curtida

O que seria exatamente o “imperialismo americano” no pós segunda guerra?