CERTO.
A afirmativa está inteiramente correta e reflete o consenso historiográfico consolidado sobre o contexto do chamado Novo Imperialismo (c. 1870–1914). Vamos analisar cada elemento:
1. A Segunda Revolução Industrial
A Segunda Revolução Industrial, iniciada aproximadamente na década de 1870, trouxe avanços tecnológicos decisivos — como o aço, a eletricidade, o petróleo, a indústria química e os motores de combustão interna. Essas inovações ampliaram enormemente a capacidade produtiva europeia e criaram uma demanda crescente por matérias-primas (borracha, petróleo, cobre, estanho, etc.) e por novos mercados consumidores, o que impulsionou diretamente a corrida colonial na África e na Ásia.
2. A formação de novos Estados nacionais
O período é marcado pela unificação da Itália (concluída em 1870) e, sobretudo, pela unificação da Alemanha (1871), que alterou profundamente o equilíbrio de poder europeu. A Alemanha bismarckiana — e depois guilhermina — tornou-se uma potência industrial e militar que também passou a reivindicar seu “lugar ao sol” (Platz an der Sonne), ou seja, um império colonial próprio. Essa competição entre Estados nacionais consolidados e recém-formados foi um dos motores do imperialismo.
3. A consolidação do capitalismo industrial e financeiro
A análise clássica de J.A. Hobson (Imperialism: A Study, 1902) e, posteriormente, de Lênin (O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, 1917) enfatiza que o imperialismo está intrinsecamente ligado à fase monopolista e financeira do capitalismo. Nesse período, ocorreu:
- A concentração de capital em grandes conglomerados, trustes e cartéis;
- A fusão entre capital bancário e capital industrial, gerando o capital financeiro (conceito trabalhado por Rudolf Hilferding em O Capital Financeiro, 1910);
- A exportação de capitais (e não apenas de mercadorias) para as periferias coloniais, em busca de taxas de lucro mais elevadas.
Síntese
A afirmativa articula corretamente os três grandes vetores que a historiografia aponta como contexto do imperialismo europeu de fins do século XIX:
| Fator |
Exemplo |
| Segunda Revolução Industrial |
Novas tecnologias, demanda por matérias-primas e mercados |
| Formação de novos Estados nacionais |
Unificações italiana e alemã, alterando o equilíbrio europeu |
| Capitalismo industrial e financeiro |
Concentração de capital, monopólios, exportação de capitais |
Trata-se de uma questão clássica de provas como o CACD e reflete a leitura de autores como Eric Hobsbawm (A Era dos Impérios, 1875–1914), Hannah Arendt (Origens do Totalitarismo, parte II — “Imperialismo”) e os já citados Hobson e Lênin. Todos convergem na ideia de que o imperialismo não foi um fenômeno isolado, mas resultado de transformações estruturais simultâneas na economia, na política e na sociedade europeias.
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