(CACD 2025) item 18 - (Língua Portuguesa). A negação do apego à outra vida está refletida na

Enunciado:

“9 de janeiro”

Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vassouras e espanadores: “Vai vassoura! Vai espanadores!”. Costumo ouvi-lo outras manhãs, mas desta vez trouxe-me à memória o dia do desembarque, quando cheguei aposentado à minha terra, ao meu Catete, e quando cheguei em 1887, a mesma língua. Era o mesmo que ouvi há um ano, em 1887, e talvez fosse a mesma boca. Durante os meus trinta e tantos anos de diplomacia algumas vezes vim ao Brasil, com licença. O mais do tempo vivi fora, em várias partes, e não foi pouco. Cuidei que não acabaria de me habituar novamente a esta outra vida de cá. Pois acabei. Certamente ainda me lembram coisas e pessoas de longe, diversões, paisagens, costumes, mas não morro de saudades por nada. Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei.

Julgue os itens seguintes, com base no texto precedente:

Texto do item:

A negação do apego à outra vida está refletida na frase “não acabaria de me habituar…”?

Participe das discussões abaixo gratuitatmente. Caso não tenha conta no ClippingCACD, basta criar uma conta gratuitamtente. Não é necessário assinar para participar.
Fez a prova? Junte-se ao ranking e confira o gabarito em https://depoisdaprova.com.br .

Gabarito sugerido: E
A oração “Cuidei que não acabaria de me habituar novamente a esta outra vida de cá” exprime a expectativa de não conseguir adaptar-se à vida no Brasil, não uma negação de apego à vida anterior (no exterior). Portanto, não reflete a suposta ausência de apego à vida de lá; apenas registra a dúvida inicial sobre a readaptação aqui.


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.

Acredito que o item está correto, pois existe uma noção de oposição entre os períodos “cuidei que não acabaria…” e “pois acabei”.

O verbo “cuidar”, aqui, tem sentido de “pensar, cogitar” e o verbo “acabar de” compõe uma perífrase verbal de aspecto conclusivo.

Portanto o narrador “pensou que não se habituaria novamente a esta outra vida de cá, (MAS) acabou (se habituando)”.

O fato de uma conjunção adversativa (mas) ser perfeitamente aceitável na construção, sem nenhuma alteração de sentido, é indicativo de que existe a tal “noção de oposição”.

É certa. A relação é de oposição, ou adversidade, entre os períodos apresentados no item. O narrador afirma “Cuidei que não me habituaria novamente”, isto é, pensei/ achei que não me habituaria novamente a esta vida de cá, mas acabei (me adaptando). Este “pois” tem valor adversativo.

1 curtida

O gabarito preliminar foi “Certo”, mas vejo possível o pedido de alteração de gabarito para “Errado”. A conjunção “pois” é, segundo a gramática normativa, usada como explicativa ou causal. Nesse caso, ela é explicativa, e não adversativa. A frase “Pois acabei” tem o sentido de explicar o motivo do autor ter tentado não se habituar, pois ele sabia que era possível que ele se habitua-se, tanto é que se habituou.