Questão 47 item 5 - (Economia - 1a Fase - CACD 2024). São trade-offs típicos da política cambial tanto a

Enunciado:

Em economias abertas, choques de confiança e alterações no prêmio de risco podem afetar fluxos de capitais e pressionar a o uso de juros. A resposta de política econômica — incluindo-se fatores, o regime cambial vigente e das restrições impostas pelo grau de mobilidade de capitais. Ademais, distinções conceituais entre taxa de câmbio nominal e taxa de câmbio real são relevantes para analisar preços relativos e competitividade, assim como para discutir mecanismos de transmissão do câmbio para a inflação. Acerca de macroeconomia aberta, regime cambial e determinação da taxa de câmbio, julgue os itens subsequentes.

Texto do item:

São trade-offs típicos da política cambial tanto a escolha entre suavizar oscilações do câmbio e preservar reservas internacionais quanto o dilema entre manter a atividade econômica em sua meta e conter a inflação doméstica.

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CERTO

A afirmativa apresenta dois trade-offs que são, de fato, clássicos e recorrentes na teoria e na prática da política cambial em economias abertas. Vamos analisar cada um deles:


1º Trade-off: Suavizar oscilações do câmbio × Preservar reservas internacionais

Este é um dilema operacional direto de qualquer Banco Central que atue em regime de câmbio flutuante (ou flutuação suja / dirty float). Quando há pressão de depreciação sobre a moeda doméstica, o Banco Central pode intervir vendendo dólares no mercado spot ou via swaps cambiais para suavizar a volatilidade. Porém, cada intervenção consome (ou compromete) reservas internacionais.

Se o BC decidir “mergulhar” sua posição cambial líquida, há espaço para venda de dólares no mercado à vista e/ou derivativos para suavizar o ajuste da taxa de câmbio.

Os swaps evitam que a demanda dos agentes por proteção contra a variação cambial futura seja satisfeita diretamente com compra de dólares; o swap é um instrumento financeiro alternativo à aquisição de dólares, e se parte dos agentes recorrer aos swaps, o BC terá menor necessidade de se desfazer de reservas para garantir a estabilidade cambial.

No câmbio flutuante, o BC eventualmente atua para amenizar variações extremas no câmbio, que poderiam trazer impactos inflacionários ou prejudicar a produção industrial.

A compra e a venda de reservas internacionais ainda podem acontecer para que o sistema financeiro se mantenha estável ou menos volátil nos momentos de maior incerteza.

Ou seja, quanto mais o BC intervém para suavizar a volatilidade cambial, mais ele desgasta seu colchão de reservas — que é justamente o “seguro” do país contra crises externas.
As reservas são um seguro e existe um preço para esse seguro.
Há, portanto, um claro trade-off entre estabilidade cambial de curto prazo e robustez do estoque de reservas.


2º Trade-off: Manter a atividade econômica × Conter a inflação doméstica

Este é o clássico dilema produto × inflação, que no contexto de economias abertas assume uma dimensão cambial adicional muito relevante:

  • Uma depreciação cambial tende a favorecer exportações e, consequentemente, a atividade econômica (via aumento da competitividade e do saldo comercial), mas eleva preços domésticos via pass-through cambial (encarecimento de bens importados e insumos cotados em moeda estrangeira).
  • Uma apreciação cambial, por outro lado, ajuda a conter a inflação (barateando importações), mas prejudica a competitividade externa e pode desacelerar a atividade.

Os juros, por sua vez, influenciam na atividade econômica e na inflação.

Taxas de juros elevadas por um longo período podem deixar de elevar o crescimento econômico (redução do crescimento do PIB devido à redução da atividade econômica).

O próprio Modelo Mundell-Fleming e a chamada trindade impossível explicitam essa tensão:
a “trindade impossível” nos diz que um país não pode alcançar, de maneira simultânea, três objetivos teoricamente desejáveis, mas contraditórios entre si: (i) adotar um regime cambial de taxas estáveis; (ii) liberdade para a movimentação internacional dos fluxos de capitais; e (iii) ter autonomia na execução de política monetária.
Quando o Banco Central usa o câmbio (ou os juros que o afetam) para conter a inflação, ele pode estar sacrificando produto e emprego — e vice-versa.


Síntese

Ambos os trade-offs são amplamente reconhecidos na literatura de macroeconomia aberta (Mundell-Fleming, Obstfeld & Rogoff, Blanchard, Krugman & Obstfeld, entre outros). O primeiro é um dilema operacional (intervenção cambial vs. preservação de reservas), e o segundo é um dilema de objetivos macroeconômicos (atividade vs. inflação), ambos tipicamente enfrentados na condução da política cambial. A afirmativa está, portanto, CERTA.


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.

Status: ERRADA trocar para Certa.

A política cambial envolve decisões que frequentemente implicam trade-offs relevantes, refletindo as restrições inerentes à condução da política macroeconômica em economias abertas.

Em primeiro lugar, destaca-se o dilema entre suavizar oscilações da taxa de câmbio e preservar o nível de reservas internacionais. Para reduzir a volatilidade cambial ou evitar movimentos abruptos de depreciação, a autoridade monetária pode intervir no mercado de câmbio por meio da venda de reservas. No entanto, essa estratégia implica a redução do estoque de ativos externos, o que pode comprometer a capacidade futura de intervenção e aumentar a vulnerabilidade externa do país. Por outro lado, a decisão de preservar reservas pode implicar maior volatilidade cambial no curto prazo, com possíveis efeitos sobre expectativas e preços domésticos.

Em segundo lugar, observa-se o trade-off entre manter a atividade econômica próxima ao seu nível potencial e conter a inflação doméstica. Medidas destinadas a controlar a inflação, como a elevação da taxa de juros, tendem a reduzir a demanda agregada, afetando negativamente o nível de atividade. Adicionalmente, juros mais elevados podem atrair capitais externos, contribuindo para a apreciação cambial, o que auxilia no controle inflacionário via preços de bens importados, mas pode prejudicar a competitividade do setor externo. Assim, a autoridade econômica enfrenta o desafio de calibrar os instrumentos de política de modo a equilibrar os objetivos de estabilidade de preços e crescimento econômico.

Esses dilemas refletem, em última instância, as restrições impostas pelo chamado trilema da política macroeconômica, segundo o qual não é possível conciliar simultaneamente câmbio estável, livre mobilidade de capitais e autonomia plena da política monetária. Dessa forma, a condução da política cambial exige escolhas que envolvem custos e benefícios, sendo inerentemente marcada por trade-offs.