Enunciado:
Bem antes que tentassem me convencer que a data de nascimento da modernidade era um espírito cartesiano, ou então um novo interesse empírico pela natureza que transpirava das páginas do Novum Organum de Bacon, ou ainda (mais tarde e mais “marxista”) à abertura dos primeiros bancos — bem antes de tudo isso, quando era essa a lição que se ensinava, que a modernidade começou em outubro de 1492. Nos livros da escola, o primeiro capítulo dos tempos modernos eram as viagens e as grandes explorações. Entre estas, a viagem de Colombo ocupa um lugar muito especial. Descidas Saara adentro ou intermináveis caravanas por montes e desertos até a China de nada valiam comparadas com a aventura do genovês. Precisa ler O Mediterrâneo de Fernand Braudel para conceber o alcance simbólico do polo além de Gibraltar, não costeando, mas reto para frente. Precisa, entre outras palavras, evocar o mar Mediterrâneo — este pátio comum navegável e navegado por milênios, espécie de útero vital compartilhado — para entender por que a viagem de Colombo acabou e continua sendo usada como metáfora do fim do mundo fechado, do abandono da casa materna e paterna.
Julgue os itens que se seguem, relativos ao texto precedente.
Texto do item:
Nos dois últimos períodos do texto, a substituição de “Precisa” por É preciso manteria inalterado o sentido das orações “ler O Mediterrâneo de Fernand Braudel” e “evocar o mar Mediterrâneo”.
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Gabarito sugerido: C
O verbo “precisar” pode ocorrer em construções impessoais, na 3.ª pessoa do singular, equivalendo a “é preciso”. Assim, “Precisa ler…” e “Precisa evocar…” expressam a mesma ideia de necessidade que “É preciso ler…” e “É preciso evocar…”. A troca, portanto, não altera o sentido das orações segundo as normas do português padrão.
Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.
A questão não pergunta se altera o sentido das orações, mas se mantém inalterada as funções das orações “ler Mediterrâneo de Fernand Braudel” e “evocar o mar Mediterrâneo”.
Ao meu ver, está errada, pois com a alteração mbas as orações passam a ser sujeito
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também pensei isso, marquei Errada
Estou na mesma. Marquei errado pela mesma razão.
Tenho desacordo com a resposta da Inteligência Artificial, pois o comando da questão pede para analisar se há diferenças na função sintática das orações apresentadas com a mudança do “Precisa…” para “É preciso”…
Percebe-se que essa mudança também muda o sentido do próprio “verbo” precisar, que ao tomar a forma “preciso” torna-se equivalente a um adjetivo (totalmente intercambiável com o adjetivo “necessário” sem prejuízos semânticos ou gramaticais) e assim a oração que o comando se refere passa a ter uma função sintática de Oração Subordinada Substantiva Subjetiva, enquanto que o “preciso” passa a ser o predicativo do sujeito oracional.
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O gabarito desta é errada, pessoal. Há alteração sintática, ao se trocar “precisa” por “é preciso”. No original do texto, a oração “ler…” é uma substantiva objetiva direta ( e o sujeito oculto, “você” precisa).. Com a troca por " É preciso…", ela passa a ser subjetiva (Ler… é preciso).
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Gabarito ERRADO. Precisa → sujeito “ele” (indeterminado nesse caso, apesar de não ser uma forma “padrão” de indeterminação). Quem “precisa”, precisa “de” algo (no sentido de necessitar) → pede objeto indireto. “ler o mediterrâneo de Fernand Braudel” é o objeto indireto oracional do verbo “precisa”, com a preposição “de” omissa.
Caso troquemos “precisa” por “É preciso”, “ler o (…) Braudel” passa a ser o sujeito (oracional).
Ou seja, a função sintática NÃO se manteria inalterada.
ERRADO
Apesar de praticamente não haver alteração semântica com a substituição proposta, as orações “ler Mediterrâneo de Fernand Braudel” e “evocar o mar Mediterrâneo” deixam se atuar como complementos estruturais do “Precisa” e passam atuar como sujeito oracional de “É preciso”.
Eu não entendi por que o título fala sobre o item 3 se a discussão é sobre o item 2…