Questão 10 item 57 - (História do Brasil - 1a Fase - CACD 2026). As perspectivas de ampliação do mercado internacio

Enunciado:

Acerca dos desdobramentos internos das políticas exteriores do Brasil entre 1930 e 1964, julgue os itens seguintes.

Texto do item:

As perspectivas de ampliação do mercado internacional com a Política Externa Independente de Jânio Quadros trouxeram alívio às críticas que o presidente recebia de vários setores da sociedade brasileira.

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ERRADO.

A afirmativa contém duas generalizações absolutas que não correspondem à realidade histórica do Cinema Novo: (1) que todos os cineastas do movimento foram censurados a partir de 1964 e (2) que a audiência de suas produções ficou restrita à intelectualidade de esquerda. Ambas as assertivas são incorretas. Vejamos por quê:


1. Nem todos foram censurados indiscriminadamente — e a relação com o Estado foi paradoxal

Embora muitos cinemanovistas tenham enfrentado dificuldades com a censura após o golpe de 1964 (e especialmente após o AI-5 de 1968), a relação entre o Cinema Novo e o regime militar foi muito mais complexa e contraditória do que a afirmativa sugere.

Nos anos 1970, o cinema brasileiro vivenciou um paradoxo: era apoiado financeiramente pelo mesmo Estado autoritário que praticava a censura.
Isso ocorreu, em grande medida, por meio da Embrafilme, criada em 1969.
Com uma proposta de desenvolvimento industrial para o cinema brasileiro, a ditadura civil-militar criou, em 1966, o Instituto Nacional de Cinema (INC) e, em 1969, a Empresa Brasileira de Filmes (EMBRAFILME).

Importantes diretores do Cinema Novo aceitaram essa colaboração com o Estado:
Em 1969 é fundada a Embrafilme, o que ocasiona a transformação paulatina da produção autoral do cinema novo em uma indústria cinematográfica, uma vez que os filmes não encontravam produtores e dependiam do mesmo governo que os censurava. Alguns diretores aceitaram esse patrocínio da própria ditadura para a produção de seus filmes, pois acreditavam que era uma forma de dar continuidade ao diálogo com a população por meio da arte.

Dispostos a seguir com sua proposta verdadeiramente nacional de cinema brasileiro, determinados diretores do Cinema Novo decidiram-se por buscar o diálogo com o Estado.

Como os melhores e mais reconhecidos cineastas eram de esquerda, o regime se rendeu ao pragmatismo. Passou a financiar obras, sobretudo a partir de 1975, mesmo que elas não fossem a expressão pura da ideologia conservadora dos militares.

Além disso, logo após o golpe, a censura não foi imediatamente drástica para o cinema:
Para a produção cinematográfica, a princípio, pouca coisa mudou. Em maio, um mês após o golpe, três filmes brasileiros participam do Festival de Cannes, de onde voltam consagrados. Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, recebe os prêmios d’Art et d’Essay, do Júri Internacional de Proprietários de Cinemas de Arte (O.C.I.C); Melhor Filme para a Juventude, do Júri de Estudantes Secundaristas e Universitários e o prêmio do Office Catholique du Cinema.


2. A audiência NÃO ficou restrita à intelectualidade de esquerda

A segunda parte da afirmativa é igualmente incorreta. Os filmes do Cinema Novo alcançaram projeção internacional significativa e, ao longo do tempo, ampliaram seu público:

Os cineastas ligados ao Cinema Novo, que em princípio recusaram tanto o cinema comercial quanto o radicalismo do cinema marginal, também foram em busca de novas expressões. Nesse processo até conseguiram ampliar seu público. Em 1969, Glauber Rocha ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes, com O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade), sucesso de 1969, era uma interpretação tropicalista do anti-herói de Mário de Andrade.
Este filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro na época, alcançando um público muito mais amplo do que apenas intelectuais.

Embora houvesse predominância de público estudantil e intelectual inicialmente,
o Cinema Novo tinha conseguido um reconhecimento inédito para o cinema brasileiro, consagrado em festivais importantes, como Veneza e Cannes. Embora agradasse plateias estudantis e intelectuais, ainda carecia de maior capilaridade entre o público de classe média.
Note-se que a fonte diz “carecia de maior capilaridade”, não que era restrito — há uma diferença importante entre ter dificuldade de penetração na classe média e estar limitado apenas à esquerda intelectual.

Ademais,
surpreende que a imagem do Brasil enquanto produtor de cinema tenha sido construída por películas aparentemente tão distantes das evidentes intenções do regime.
Ou seja, os filmes do Cinema Novo projetaram internacionalmente o Brasil como nação cinematográfica.


Síntese didática

A afirmativa incorre em dois erros típicos de questões de concurso:

Aspecto O que a afirmativa diz O que de fato ocorreu
Censura “Todos” foram censurados Houve censura seletiva, mas também financiamento estatal via Embrafilme; muitos cineastas dialogaram com o regime
Audiência Ficou “restrita” à intelectualidade de esquerda Filmes alcançaram projeção internacional (Cannes, Veneza, Berlim), e obras como Macunaíma foram sucessos de público amplo

O uso de termos absolutos como “todos” e “restritas” é o que torna a questão errada. A relação entre Cinema Novo e ditadura militar foi marcada por contradições, negociações e adaptações — muito distante da simplificação proposta pela afirmativa.


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