ERRADO.
A afirmativa é incorreta porque a Política Externa Independente (PEI) de Jânio Quadros, longe de trazer alívio às críticas que o presidente recebia, agravou significativamente a oposição de diversos setores da sociedade brasileira, contribuindo para o isolamento político que culminou em sua renúncia.
Vejamos os fundamentos:
1. A contradição entre a base de sustentação e a PEI
A PEI era considerada “avançada e bastante arrojada, tendo em vista as instituições políticas nacionais existentes no período”, especialmente considerando que o partido que alçou Jânio ao poder era a União Democrática Nacional (UDN), “tradicional defensor das posições do chamado bloco democrático, de cunho conservador.”
Ou seja, a PEI contradizia frontalmente as posições ideológicas da base política que havia elegido Jânio.
A disposição de Jânio em abraçar governos comunistas como os de Cuba, China e União Soviética alienou muitos de seus apoiadores, particularmente a UDN.
2. Acirramento das tensões internas, não “alívio”
Essa política externa independente enfrentou resistência de setores conservadores da sociedade brasileira, que viam a aproximação com países socialistas como uma ameaça à segurança nacional e aos valores tradicionais.
As medidas de austeridade e a política externa independente foram alvos de críticas e controvérsias, aumentando a oposição ao seu governo.
A PEI era apoiada pela oposição ao governo e recebia críticas no interior da base do próprio governo, além dos ataques vindos dos setores conservadores e de grande parte da imprensa.
3. A condecoração de Che Guevara como estopim
A condecoração de Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul e o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética, ambos durante o governo de Jânio Quadros, contribuíram para o acirramento das tensões internas.
Jânio Quadros desagradou justamente os conservadores que o haviam eleito e que davam sustentação a seu governo, especialmente a UDN, liderada por Carlos Lacerda, que de grande aliado de Quadros passou a ser seu maior inimigo político.
A PEI “chocou os setores mais conservadores e anticomunistas da sociedade e das forças armadas, que viam com desconfiança a aproximação com o bloco socialista. O ápice da crise foi a condecoração de Che Guevara, que serviu como pretexto para que Carlos Lacerda rompesse publicamente com o presidente.”
4. A PEI como instrumento de barganha política — e não de “alívio”
Para Moniz Bandeira, a PEI se situava como “uma peça de aproximação entre Jânio e setores ditos nacionalistas, contrabalançando sua base de sustentação original e as possíveis insatisfações com a condução de outras agendas domésticas.”
Isso significa que a PEI tinha um caráter instrumental: Jânio a utilizava para tentar conquistar setores nacionalistas e de esquerda, compensando sua política econômica ortodoxa. No entanto, essa manobra não logrou trazer “alívio” — ao contrário, acabou alienando a base conservadora sem garantir apoio sólido da esquerda.
5. A polarização resultante levou à crise
O debate “evoluiu para embates de opinião sobre a política exterior do país. A paulatina polarização das tendências de opinião foi um dos fatores que contribuíram decisivamente para o golpe de 1964.”
Sem apoio político, com a popularidade em queda e enfrentando uma oposição feroz, Jânio Quadros optou pela renúncia.
Conclusão
A afirmativa erra ao dizer que a PEI trouxe alívio às críticas. A historiografia é unânime em apontar que a PEI intensificou o clima de oposição ao governo Jânio Quadros: alienou sua base conservadora (UDN, militares, grande imprensa), gerou controvérsias domésticas e internacionais, e foi um dos fatores centrais da crise política que culminou na renúncia presidencial de 25 de agosto de 1961. Portanto, o item está ERRADO.
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