Enunciado:
Com relação à expansão europeia de fins do século XIX e início do século XX, julgue os itens a seguir.
Texto do item:
Devido à atuação do chanceler Otto von Bismarck, o Império Alemão manteve-se afastado de todas as disputas imperialistas com outros países até o início das Guerras Balcânicas, em 1912.
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ERRADO.
A afirmativa contém múltiplos erros históricos graves, tanto factuais quanto lógicos. Vamos analisá-los de forma didática:
1. Bismarck NÃO manteve a Alemanha afastada de disputas imperialistas
Embora Bismarck tenha sido inicialmente cético em relação ao colonialismo — sua famosa frase era de que “todo o continente africano não vale os ossos de um único granadeiro pomerano” — ele próprio mudou de posição na década de 1880 e promoveu a aquisição de colônias alemãs.
Entre 1884 e 1885, sob sua chancelaria, a Alemanha adquiriu:
- Togo e Camarões (África Ocidental)
- África Oriental Alemã (atual Tanzânia, Ruanda e Burundi)
- Sudoeste Africano Alemão (atual Namíbia)
- Territórios no Pacífico (Nova Guiné Alemã, Ilhas Marshall, etc.)
Além disso, Bismarck convocou e presidiu a Conferência de Berlim (1884-1885), que estabeleceu as regras para a partilha da África entre as potências europeias. Isso é, por definição, participação direta nas disputas imperialistas.
2. Bismarck deixou o poder em 1890, não em 1912
A afirmativa sugere que a influência de Bismarck se estenderia até 1912, o que é historicamente impossível. Bismarck foi demitido pelo Kaiser Guilherme II em março de 1890 e faleceu em 1898. Portanto, não se pode atribuir a ele qualquer política alemã do período 1890-1912.
3. Após Bismarck: a Weltpolitik de Guilherme II
Após a saída de Bismarck, a Alemanha adotou uma postura ainda mais agressiva no cenário imperialista, sob a chamada Weltpolitik (“política mundial”) do Kaiser Guilherme II. Exemplos notórios de disputas imperialistas alemãs anteriores a 1912 incluem:
- Crise dos Boxers (1900): A Alemanha participou ativamente da intervenção militar na China.
- Primeira Crise Marroquina (1905): Guilherme II desafiou a influência francesa no Marrocos ao visitar Tânger, gerando uma grave crise diplomática resolvida na Conferência de Algeciras (1906).
- Segunda Crise Marroquina / Crise de Agadir (1911): A Alemanha enviou a canhoneira Panther ao porto de Agadir, no Marrocos, em confronto direto com a França.
- Corrida naval anglo-germânica (1898-1912): A construção massiva da marinha alemã (Flottenrüstung), impulsionada pelas Leis Navais de Tirpitz, representou uma disputa estratégica direta com o Império Britânico.
- Questão da Ferrovia Bagdá: Projeto alemão que gerou atritos com Rússia, França e Grã-Bretanha por suas implicações geopolíticas no Oriente Médio.
Conclusão
A afirmativa é duplamente falsa: (1) Bismarck não manteve a Alemanha afastada do imperialismo — ele mesmo inaugurou o colonialismo alemão; e (2) atribuir a Bismarck a política alemã até 1912 ignora que ele foi demitido em 1890 e que seu sucessor, Guilherme II, adotou uma política imperialista muito mais agressiva (Weltpolitik), envolvendo-se em diversas crises internacionais bem antes das Guerras Balcânicas.
Referências doutrinárias recomendadas para estudo:
- HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios (1875-1914) — análise clássica do imperialismo do período.
- SARAIVA, José Flávio S. História das Relações Internacionais Contemporâneas — obra frequentemente cobrada no CACD.
- KISSINGER, Henry. Diplomacia — capítulos sobre o sistema bismarckiano e a Weltpolitik.
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