CERTO.
Fundamentação
A afirmativa está correta e reflete um consenso historiográfico amplamente consolidado. A escravidão foi, de fato, um dos elementos centrais — e para muitos historiadores, o elemento central — da crise que culminou na secessão dos estados sulistas e na Guerra Civil Americana (1861–1865).
1. O contexto estrutural: dois modelos socioeconômicos em choque
Os Estados Unidos, desde sua fundação, conviviam com uma tensão latente entre dois modelos de organização socioeconômica:
- Norte: economia baseada na industrialização, trabalho assalariado, urbanização crescente e uma visão modernizante do capitalismo.
- Sul: economia agrário-exportadora, centrada na plantation de algodão e tabaco, dependente de mão de obra escravizada.
Essa dualidade gerava divergências profundas sobre tarifas alfandegárias, infraestrutura, direitos dos estados (states’ rights) e, sobretudo, sobre a expansão ou contenção da escravidão nos novos territórios do Oeste.
2. A escalada das tensões em torno da escravidão
Ao longo das décadas de 1840 e 1850, uma série de episódios demonstrou que a escravidão era o ponto nevrálgico das disputas políticas nacionais:
| Evento |
Ano |
Significado |
| Compromisso de Missouri |
1820 |
Tentativa de equilibrar estados livres e escravistas na expansão territorial. |
| Compromisso de 1850 |
1850 |
Pacote legislativo que incluiu a Fugitive Slave Act, acirrou os ânimos abolicionistas no Norte. |
| Lei Kansas-Nebraska |
1854 |
Permitiu que novos territórios decidissem por soberania popular sobre a escravidão, provocando violência (Bleeding Kansas). |
| Decisão Dred Scott |
1857 |
A Suprema Corte decidiu que negros não eram cidadãos e que o Congresso não podia proibir a escravidão nos territórios. |
| Raid de John Brown |
1859 |
Tentativa de insurreição armada abolicionista em Harpers Ferry, radicalizou o debate. |
3. A eleição de Lincoln e a secessão
A eleição de Abraham Lincoln em novembro de 1860, pelo Partido Republicano — que tinha como plataforma a não expansão da escravidão para novos territórios (embora não propusesse sua abolição imediata onde já existia) — foi o estopim para a secessão.
Entre dezembro de 1860 e fevereiro de 1861, sete estados sulistas se separaram da União antes mesmo da posse de Lincoln, formando os Estados Confederados da América. Posteriormente, mais quatro se juntaram.
4. As próprias declarações de secessão
Um dado fundamental para o candidato ao CACD: os próprios documentos oficiais de secessão dos estados sulistas mencionam explicitamente a escravidão como razão central. A declaração do Mississippi (1861), por exemplo, afirma em seu preâmbulo que a posição do estado está “thoroughly identified with the institution of slavery.” A Carolina do Sul, o primeiro estado a se separar, centrou sua declaração na defesa do direito de propriedade sobre escravizados.
Isso refuta a narrativa revisionista (a chamada Lost Cause) que tentou reduzir a guerra a uma mera questão de “direitos dos estados” (states’ rights), omitindo que o principal “direito” em disputa era justamente o de manter a escravidão.
5. Referências doutrinárias
- James McPherson, em Battle Cry of Freedom (1988), considerado a obra de referência sobre a Guerra Civil, sustenta inequivocamente que a escravidão foi a causa central do conflito.
- Eric Foner, em Free Soil, Free Labor, Free Men (1970), analisa como a ideologia antiescravista moldou o Partido Republicano e precipitou a crise.
- Kenneth Stampp, em The Peculiar Institution (1956), foi pioneiro na revisão historiográfica que recolocou a escravidão no centro da análise.
Conclusão para o candidato ao CACD
A banca do CACD (CESPE/CEBRASPE ou IADES) espera do candidato a compreensão de que:
- A escravidão foi causa estrutural e imediata da Guerra de Secessão.
- A questão dos states’ rights era indissociável da defesa da escravidão.
- A guerra teve desdobramentos fundamentais para a política externa dos EUA e para a consolidação do Estado nacional americano, temas recorrentes na prova de História Mundial.
A afirmativa, portanto, está CERTA.
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