CERTO.
Explicação didática
A afirmação reproduz, com notável fidelidade, uma das teses centrais da epistemologia da Geografia, amplamente consagrada na obra de Antonio Carlos Robert Moraes, Geografia: Pequena História Crítica (1981), referência obrigatória para o CACD e demais concursos.
1. A filiação positivista da Geografia Tradicional
Os postulados do positivismo vão ser o patamar pelo qual se ergue o pensamento geográfico tradicional, dando-lhe unidade. Uma primeira manifestação dessa filiação positivista está na redução da realidade ao mundo dos sentidos, isto é, em circunscrever todo o trabalho científico ao domínio da aparência dos fenômenos.
Ou seja, o positivismo — especialmente o de matriz comtiana — preconizava que o conhecimento científico legítimo deveria se limitar àquilo que é empiricamente constatável, observável e mensurável.
A Geografia tradicional foi bastante influenciada pelas ideias do positivismo, principalmente na sua forma mais rígida, ligada aos pensamentos de Auguste Comte. Essa corrente defendia que o conhecimento científico deveria se limitar ao que é possível observar e medir.
2. O cientista como mero observador
A consequência lógica dessa premissa é que o cientista passa a ser um observador passivo dos fenômenos, que supostamente se “demonstram” diretamente a ele. Moraes é categórico nesse ponto:
Para o positivismo, os estudos devem restringir-se aos aspectos visíveis do real, mensuráveis, palpáveis. Como se os fenômenos se demonstrassem diretamente ao cientista, o qual seria mero observador.
Tal postura aparece na Geografia através da máxima: “A Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação” — presente em todas as correntes dessa disciplina.
3. As implicações metodológicas
Essa redução ao visível trouxe consequências profundas para o método geográfico:
-
Empirismo descritivo:
Predominava a máxima de que a “Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação”. A descrição, enumeração e classificação dos fatos foram os procedimentos aos quais a Geografia Tradicional se limitou.
-
Método indutivo:
Os estudos dos fenômenos devem se restringir aos aspectos visíveis, mensuráveis, palpáveis. A partir desse entendimento, a Geografia é considerada uma ciência empírica, pautada na observação, que é a única forma possível de se obter o conhecimento. No que se refere aos procedimentos de análise, a indução é posta como a única via para se chegar à explicação científica.
-
Naturalização do humano:
O positivismo é o fundamento comum em todas as correntes de pensamento e em todos os objetos de estudos da Geografia tradicional. Sendo uma concepção não dialética de ciência, este reduz a ciência ao mundo dos sentidos, tornando o pesquisador um mero observador dos fenômenos.
4. Síntese para o concurso
A afirmação é perfeitamente correta porque:
| Elemento da afirmação |
Fundamento doutrinário |
| “Geografia tradicional apoiada no positivismo” |
Moraes (1981): positivismo como fundamento unitário da Geografia Tradicional |
| “Redução da realidade à aparência visível” |
Restrição ao mundo dos sentidos / aspectos visíveis, mensuráveis, palpáveis |
| “O cientista é um observador” |
O geógrafo como mero observador passivo dos fenômenos |
Trata-se de uma questão clássica de epistemologia e história do pensamento geográfico, recorrente tanto no CACD quanto em outros concursos que cobram os fundamentos filosóficos da disciplina. A referência principal é a obra de A. C. R. Moraes (Geografia: Pequena História Crítica), complementada por autores como Manuel Correia de Andrade (Geografia: Ciência da Sociedade) e Ruy Moreira (O que é Geografia).
Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.