Questão 19 item 97 - (Geografia - 1a Fase - CACD 2026). A geografia tradicional apoiada nos fundamentos do

Enunciado:

A respeito da expansão colonial, do pensamento geográfico e das principais correntes teóricas da Geografia, julgue os itens subsequentes.

Texto do item:

A geografia tradicional apoiada nos fundamentos do positivismo é marcada pela redução da realidade da aparência visível dos fenômenos: o cientista é um observador.

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CERTO.


Explicação didática

A afirmação reproduz, com notável fidelidade, uma das teses centrais da epistemologia da Geografia, amplamente consagrada na obra de Antonio Carlos Robert Moraes, Geografia: Pequena História Crítica (1981), referência obrigatória para o CACD e demais concursos.

1. A filiação positivista da Geografia Tradicional

Os postulados do positivismo vão ser o patamar pelo qual se ergue o pensamento geográfico tradicional, dando-lhe unidade. Uma primeira manifestação dessa filiação positivista está na redução da realidade ao mundo dos sentidos, isto é, em circunscrever todo o trabalho científico ao domínio da aparência dos fenômenos.

Ou seja, o positivismo — especialmente o de matriz comtiana — preconizava que o conhecimento científico legítimo deveria se limitar àquilo que é empiricamente constatável, observável e mensurável.
A Geografia tradicional foi bastante influenciada pelas ideias do positivismo, principalmente na sua forma mais rígida, ligada aos pensamentos de Auguste Comte. Essa corrente defendia que o conhecimento científico deveria se limitar ao que é possível observar e medir.

2. O cientista como mero observador

A consequência lógica dessa premissa é que o cientista passa a ser um observador passivo dos fenômenos, que supostamente se “demonstram” diretamente a ele. Moraes é categórico nesse ponto:

Para o positivismo, os estudos devem restringir-se aos aspectos visíveis do real, mensuráveis, palpáveis. Como se os fenômenos se demonstrassem diretamente ao cientista, o qual seria mero observador.

Tal postura aparece na Geografia através da máxima: “A Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação” — presente em todas as correntes dessa disciplina.

3. As implicações metodológicas

Essa redução ao visível trouxe consequências profundas para o método geográfico:

  • Empirismo descritivo:
    Predominava a máxima de que a “Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação”. A descrição, enumeração e classificação dos fatos foram os procedimentos aos quais a Geografia Tradicional se limitou.

  • Método indutivo:
    Os estudos dos fenômenos devem se restringir aos aspectos visíveis, mensuráveis, palpáveis. A partir desse entendimento, a Geografia é considerada uma ciência empírica, pautada na observação, que é a única forma possível de se obter o conhecimento. No que se refere aos procedimentos de análise, a indução é posta como a única via para se chegar à explicação científica.

  • Naturalização do humano:
    O positivismo é o fundamento comum em todas as correntes de pensamento e em todos os objetos de estudos da Geografia tradicional. Sendo uma concepção não dialética de ciência, este reduz a ciência ao mundo dos sentidos, tornando o pesquisador um mero observador dos fenômenos.

4. Síntese para o concurso

A afirmação é perfeitamente correta porque:

Elemento da afirmação Fundamento doutrinário
“Geografia tradicional apoiada no positivismo” Moraes (1981): positivismo como fundamento unitário da Geografia Tradicional
“Redução da realidade à aparência visível” Restrição ao mundo dos sentidos / aspectos visíveis, mensuráveis, palpáveis
“O cientista é um observador” O geógrafo como mero observador passivo dos fenômenos

Trata-se de uma questão clássica de epistemologia e história do pensamento geográfico, recorrente tanto no CACD quanto em outros concursos que cobram os fundamentos filosóficos da disciplina. A referência principal é a obra de A. C. R. Moraes (Geografia: Pequena História Crítica), complementada por autores como Manuel Correia de Andrade (Geografia: Ciência da Sociedade) e Ruy Moreira (O que é Geografia).


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.

Essa é uma questão polêmica e, na verdade poderia ser qualquer gabarito por causa da redação que foi dada. Por mais que imagino que os alunos que fizeram nossos cursos extensivo ou o PEA tenham marcado errado pela pesada crítica recebida pela geografia pragmática/quantitativa/nova geografia pelos autores da Geografia Crítica como o Robert Moraes, que a acusou de se perder em “geometrias estéreis” ou o Milton no livro de nome sarcástico, Por uma Geografia Nova, que a acusa de não ir na essência e ficar na aparência, a redação gera polêmica. Para quem vai fazer recurso nessa sugiro que usem a página 37 do Livro O pensamento geográfico brasileiro vol.2, de Ruy Moreira, onde ele afirma que : “Orientado pelo positivismo lógico, o pressuposto da new geography é a presença de uma ordem estrutural matemática oculta por trás do padrão empírico de organização espacial dos fenômenos, cabendo-lhe descobrir e identificar suas formas de manifestação. É esta descoberta que ao tempo que permite a explicação científica do fenômeno e dá à pesquisa o poder nomotético que lhe é necessário, confere a matéria de intervenção prática e o valor de cientificidade requeridos pela ação geográfica”.

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