ERRADO.
A afirmativa contém uma meia-verdade: é correto que a Geografia Pragmática (também chamada Nova Geografia ou Geografia Quantitativa) se caracteriza pelo uso de métodos matemáticos e estatísticos para explicar os fenômenos geográficos. Porém, a conclusão de que isso “enriquece a reflexão geográfica” é justamente o oposto do que a doutrina geográfica predominante sustenta.
1. O que é a Geografia Pragmática?
A Geografia Quantitativa, também conhecida por Geografia Teórico-Quantitativa ou Nova Geografia, é o nome dado a uma corrente do pensamento geográfico que surge na década de 1950 e é caracterizada pelo uso de métodos quantitativos como técnicas estatísticas e matemáticas.
Baseada no neopositivismo lógico, essa nova corrente geográfica surgiu com a necessidade de exatidão, através de conceitos mais teóricos e apoiados em uma explicação matemático-estatística.
Uma primeira via de sua objetivação é a Geografia Quantitativa. Para os autores filiados a esta corrente, o temário geográfico poderia ser explicado totalmente com o uso de métodos matemáticos.
Até aqui, a primeira parte da afirmativa está correta.
2. Sofisticação técnica ≠ Enriquecimento da reflexão
O erro central da afirmativa está no trecho final. A obra de referência obrigatória para concursos nessa temática — Antônio Carlos Robert de Moraes, Geografia: Pequena História Crítica — é categórica ao afirmar exatamente o contrário:
Nesse processo, há um empobrecimento do grau de concretude do pensamento geográfico. Apesar da sofisticação técnica e linguística, este permanece formal (preso às aparências do real), e agora mais pobre, porque mais abstrato.
Perceba a sutileza da “pegadinha”: Moraes reconhece a sofisticação técnica e linguística, mas afirma que, apesar dessa sofisticação, o resultado foi um empobrecimento, e não um enriquecimento da reflexão geográfica. O pensamento torna-se mais abstrato, mais formal e mais distante da realidade concreta.
3. Outras críticas à Geografia Pragmática
A doutrina crítica reforça esse diagnóstico de empobrecimento sob vários ângulos:
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Negligência da dimensão temporal:
Embora a Geografia Quantitativa se dispusesse a compor um sistema de pensamento, pelo fato de estar subordinada a uma visão matemática do mundo, negligenciava a dimensão do tempo.
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Desconsideração das particularidades:
A Geografia Pragmática começou a sofrer duras críticas, uma das principais é o fato de não considerar as peculiaridades dos fenômenos, pois o método matemático explica o que acontece em determinados momentos, mas não explica os intervalos entre eles, além de apresentar dados considerando o “todo” de forma homogênea, desconsiderando, portanto, as particularidades.
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Instrumento de dominação:
A Geografia Pragmática servia como “instrumento de dominação burguesa”, um aparato para o Estado capitalista (Moraes, 1995, p. 108), fomentado pela geografia do planejamento regional.
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Empobrecimento classificatório:
A Geografia Pragmática é a favor da classe burguesa e trouxe grande empobrecimento às classificações geográficas já existentes.
4. Síntese para o CACD
| Aspecto |
O que a afirmativa diz |
O que a doutrina diz (Moraes) |
| Uso de métodos matemáticos |
Correto |
Confirmado |
| Sofisticação dos conteúdos |
Parcialmente |
Há sofisticação técnica/linguística, mas não de conteúdo reflexivo |
| Enriquecimento da reflexão |
Errado |
Houve empobrecimento do pensamento geográfico |
A banca explora exatamente a distinção que Moraes faz entre sofisticação técnica (que de fato ocorreu) e enriquecimento reflexivo (que não ocorreu — houve empobrecimento). É uma questão clássica de pensamento geográfico que exige do candidato o conhecimento da crítica à Nova Geografia, especialmente conforme sistematizada por Moraes e Milton Santos.
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