CERTO.
A afirmativa está inteiramente correta e reflete com precisão a evolução dos fluxos migratórios internos brasileiros ao longo do último século. Vamos analisar as duas partes da assertiva:
1. São Paulo como polo de atração migratória na segunda metade do século XX
A migração de nordestinos para a Região Sudeste entre os anos 1930 e 1970 foi um dos maiores fenômenos da dinâmica demográfica no Brasil, associada ao processo de crescimento acelerado e concentrado da economia brasileira, que aprofundou as desigualdades regionais.
A grande migração de trabalhadores saídos das regiões rurais do Nordeste em direção às regiões urbanas no Sudeste é um fenômeno marcante na segunda metade do século XX.
Na segunda metade do século XX, cerca de cinco milhões de pessoas chegaram a São Paulo, muitas delas oriundas do Nordeste, segundo dados do IBGE.
Os fatores de expulsão no Nordeste eram múltiplos:
a estagnação econômica, as constantes secas, em contraste com a prosperidade econômica de outras regiões, foram fatores determinantes. O forte processo de desenvolvimento econômico do Sudeste, movido pela industrialização do período 1930-1980, em especial São Paulo, contrastava com uma região Nordeste que mantinha características de agricultura atrasada, economia estagnada e concentração de renda.
Nos anos 1970, São Paulo foi o polo centrípeto das migrações nacionais (Martine e Camargo, 1984).
2. Perdas migratórias a partir das primeiras décadas do século XXI
A partir dos anos 1980-1990, esse modelo de atração começou a se esgotar.
Durante boa parte do século 20, São Paulo foi o principal destino de fluxos migratórios no Brasil, impulsionado pela industrialização e pela oferta de empregos urbanos. No entanto, a partir das décadas de 1980 e 1990, esse movimento começou a perder força, refletindo um esgotamento do modelo de atração migratória.
Na primeira década do século XXI (2000-2010), os saldos migratórios de São Paulo já caíam vertiginosamente:
a migração no Estado se reduziu e chegou a 47.946 pessoas ao ano, entre 2000 e 2010, respondendo por apenas 11,2% do crescimento absoluto da população paulista.
São Paulo passou a ter saldo migratório negativo com diferentes estados do Nordeste e com demais regiões do país.
Esse processo se consolidou na segunda década do século XXI (2017-2022), quando os dados do Censo 2022 comprovaram a inversão histórica:
o estado de São Paulo registrou fluxo migratório negativo no período de 2017 a 2022, o que significa que o total de pessoas que deixaram de morar nesse estado superou o número daqueles que se mudaram para lá.
Essa é a primeira vez que o estado tem fluxo migratório negativo desde que o Censo começou a fazer esse tipo de análise, em 1991.
Em números:
de 2017 a 2022, São Paulo recebeu 736,4 mil migrantes; no mesmo período, 826 mil pessoas saíram do estado, resultando em saldo migratório negativo de 89,6 mil pessoas.
Fatores explicativos da inversão
A literatura aponta múltiplos fatores para esse fenômeno:
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Desconcentração industrial e interiorização produtiva:
em 1985, cerca de dois terços dos empregos industriais estavam nas capitais e regiões metropolitanas; quatro décadas depois, quase 55% se localizam no interior do país, em paralelo a um processo de interiorização da população e abertura de novas fronteiras econômicas.
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Migração de retorno ao Nordeste e novos polos de atração:
o Nordeste continua sendo polo de emigração, mas o saldo negativo da região reduziu, passando de 701,1 mil (2005-2010) para 248,6 mil (2017-2022).
Novos estados passaram a liderar a atração:
Santa Catarina liderou o ranking, com saldo positivo de 354,3 mil pessoas.
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Rotatividade migratória:
no contexto de redefinição de áreas de retenção, perdas e rotatividade migratórias, redesenha-se a mobilidade espacial da população no Brasil. A complementaridade migratória historicamente existente entre Nordeste-São Paulo se redefine num cenário de rotatividade migratória.
Conclusão
A afirmativa é CERTA em todos os seus elementos: (i) São Paulo foi, de fato, o principal polo receptor de migrantes no Brasil na segunda metade do século XX, com destaque para os fluxos nordestinos; e (ii) a partir das primeiras décadas do século XXI, o estado passou por um inequívoco processo de perdas migratórias, culminando no primeiro saldo migratório negativo registrado da história censitária do estado (2017-2022). Trata-se de tema clássico da Geografia da População brasileira, amplamente documentado pelo IBGE e por demógrafos como Rosana Baeninger (Unicamp) e Fausto Brito (Cedeplar/UFMG).
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