ERRADO.
A afirmação está errada porque comete uma inversão conceitual entre duas das três dimensões da globalização propostas por Milton Santos em sua obra Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (2000).
As três dimensões da globalização segundo Milton Santos
Milton Santos propõe que devemos considerar a existência de “três mundos num só”:
O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização.
1. Globalização como fábula (o mundo como nos fazem ver)
É justamente aqui que se encaixam as descrições que a afirmação erroneamente atribui à “outra globalização”.
Uma das fábulas, segundo Santos, é “a tão repetida idéia de aldeia global”.
Outro mito é o “do espaço e do tempo contraídos, graças, outra vez, aos prodígios da velocidade”.
A máquina ideológica faz crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta através da disposição, cada vez maior, de mercadoria para o consumo — quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas.
Ou seja, o discurso de um mundo integrado, com distâncias encurtadas, pessoas informadas, com poder de consumo e vivendo numa “aldeia global” é precisamente o que Milton Santos classifica como FÁBULA — a narrativa ilusória que mascara a realidade.
2. Globalização como perversidade (o mundo como ele é)
Para a grande maior parte da humanidade, a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes.
3. Uma outra globalização (o mundo como pode ser)
As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência dos momentos e o conhecimento do planeta. É nessas bases técnicas que o grande capital se apoia para construir a globalização perversa. No entanto, essas mesmas bases poderão servir a outros objetivos, se forem postas ao serviço de outros fundamentos sociais e políticos.
Milton Santos propõe a construção de uma nova globalização — uma globalização mais humana, democrática, participativa e consciente.
Onde está o erro da afirmação?
O enunciado afirma que “uma outra globalização” seria “um mundo integrado, com distâncias encurtadas, pessoas informadas e com poder de consumo — uma aldeia global”. Essa descrição corresponde, na obra de Milton Santos, à globalização como fábula, e não à “outra globalização”.
A “outra globalização” de Milton Santos não repete o discurso da aldeia global consumista.
A globalização como possibilidade refere-se a uma globalização mais humana, que traz reflexões sobre a centralidade das ações para que essa seja localizada no homem e não no capital.
Trata-se de um projeto político-social baseado na solidariedade, na cidadania, na valorização das culturas locais e no uso das mesmas bases técnicas para outros fins — humanísticos e emancipatórios.
Portanto, a banca misturou intencionalmente os conceitos de fábula e possibilidade para confundir o candidato. A afirmação é ERRADA.
Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.