CERTO.
Explicação didática
A afirmativa reproduz com fidelidade uma das formulações teóricas mais importantes da Geografia Agrária brasileira contemporânea, desenvolvida pelo geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira (USP). Trata-se de um par conceitual amplamente utilizado para analisar o avanço do capitalismo no campo brasileiro no contexto da mundialização do capital.
1. O contexto: capitalismo mundializado e agricultura
O objetivo dessa formulação é compreender a concentração econômica e territorial, característica da agricultura mundializada, nesta etapa monopolista do capitalismo.
Na leitura de Oliveira, a mundialização possui uma característica básica do capitalismo monopolista, que integra o capital em escala mundial, criando diferentes empresas mundiais.
Ou seja, a agricultura não está alheia à lógica do capitalismo monopolista global; ao contrário, ela é um vetor fundamental de sua reprodução.
2. Os dois processos monopolistas
Oliveira identifica que o capital se relaciona com o território agrário por meio de dois processos distintos, porém articulados:
a) Territorialização dos monopólios
Ocorre quando grandes grupos econômicos monopolistas se instalam diretamente no território, controlando terra, produção e processamento. Nesse caso, o capital se territorializa: compra terras, instala usinas, fábricas e controla toda a cadeia produtiva.
Trata-se de um estudo que analisa o processo de territorialização dos monopólios no setor sucroenergético e discute a formação dos grupos econômicos agroindustriais monocultores territorializados.
Os resultados revelam a monopolização do território no processo produtivo graneleiro vigente e a disputa com a territorialização do monopólio canavieiro.
Exemplo clássico: o setor sucroenergético (cana-de-açúcar), em que grandes corporações nacionais e transnacionais adquirem terras, plantam cana e operam usinas, territorializando o monopólio.
b) Monopolização do território
Ocorre quando o capital monopoliza o território sem necessariamente se territorializar, isto é, sem adquirir a terra diretamente.
O pressuposto é de que é necessário observar os camponeses-ribeirinhos no interior do desenvolvimento capitalista no campo, fundamentado no processo de monopolização do território, na qual o capital contraditoriamente monopoliza o território sem, contudo, territorializar-se.
A monopolização do território é “desenvolvida pelas empresas de comercialização e/ou processamento industrial da produção agropecuária, que sem produzir no campo, controlam através de mecanismos de subordinação, camponeses e capitalistas”.
Exemplo clássico: o setor de grãos (soja, milho), em que tradings multinacionais como Cargill, ADM, Bunge e Louis Dreyfus não produzem diretamente, mas controlam a comercialização, o financiamento, o fornecimento de insumos e a logística, subordinando produtores rurais (camponeses e capitalistas) ao seu domínio monopolista.
3. Articulação dos dois processos
Os conceitos de territorialização do capital e de monopolização do território pelo capital possuem notável importância no campo da geografia agrária e têm sido, cada vez mais, utilizados como base teórica para fundamentar a explicação sobre o avanço do capitalismo no campo brasileiro.
A inserção dos políticos ruralistas nas dinâmicas territoriais de apropriação de terras ocorre em meio à lógica do desenvolvimento contraditório, desigual e combinado no modo capitalista de produção na agricultura, e nas distinções de cada ator no processo de territorialização dos monopólios e na monopolização dos territórios.
Oliveira demonstra, inclusive, que há metamorfoses de um processo no outro:
Ariovaldo nomeia os “bois e a boiada” nessa artimanha na qual ocorre a metamorfose do monopólio do território em territorialização do monopólio.
Referência doutrinária principal
- OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo Capitalista de Produção, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: FFLCH/LABUR Edições, 2007.
- OLIVEIRA, A. U. “A mundialização da agricultura brasileira.” In: Território em conflito, terra e poder, 2014.
Conclusão
A afirmativa está CERTA porque reflete com precisão a tese de Ariovaldo Umbelino de Oliveira: a agricultura sob o capitalismo mundializado se estrutura em torno de dois processos monopolistas complementares — a territorialização dos monopólios (quando o grande capital se instala diretamente no campo) e a monopolização do território (quando o capital controla o território sem necessariamente nele se territorializar). Esse é um conteúdo clássico e recorrente em provas de Geografia para concursos como o CACD.
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