CERTO.
Fundamentação e Raciocínio
A afirmativa está correta ao descrever a atuação do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA) durante a Segunda Guerra Mundial como instrumento de projeção cultural dos EUA no Brasil, incluindo a estratégia de levar artistas brasileiros aos Estados Unidos. Vejamos cada elemento:
1. O OCIAA como vetor da política cultural norte-americana no Brasil
O Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), criado em 16 de agosto de 1940, então denominado “Office for Coordination of Commercial and Cultural Relations between the Americas”, foi o órgão responsável pela execução dos projetos culturais, que fazia parte do projeto político-econômico financiado pelo governo dos Estados Unidos.
Por ordem executiva de 30 de julho de 1941, Roosevelt o estabeleceu para “provide for the development of commercial and cultural relations between the American Republics.” A missão do OCIAA era a diplomacia cultural, promovendo a solidariedade hemisférica e combatendo a crescente influência do Eixo na América Latina.
A agência era liderada por Nelson Rockefeller, descrito pela historiografia como o “homem de Roosevelt no Brasil”.
Para atingir seus objetivos, a agência deu “importância notável às atividades culturais e à comunicação”, tendo à sua frente o republicano Nelson Rockefeller.
2. Consolidação de poder/influência pela difusão cultural
A natureza hegemônica da atuação do OCIAA é amplamente reconhecida pela historiografia, sobretudo na obra clássica de Antonio Pedro Tota, O Imperialismo Sedutor (2000), e de Gerson Moura, Tio Sam Chega ao Brasil.
O livro mostra que os meios de comunicação de massa podiam ser usados como alavanca para dominação política. Sob a Política da Boa Vizinhança, os EUA evitaram intervenção armada, mas empregaram outros meios para assegurar a hegemonia continuada.
Essa intensa empreitada de sedução da América Latina, juntamente com a vitória dos Aliados, confluiu para a mudança de comportamento da elite latino-americana, que se distanciava da Europa e aproximava-se mais dos EUA.
3. Levar artistas brasileiros para os EUA
Este é o ponto central da questão. A estratégia do OCIAA era bidirecional: ao mesmo tempo em que enviava artistas e produtores norte-americanos à América Latina, levava artistas latino-americanos e brasileiros aos Estados Unidos.
Como mostra Tota, o OCIAA de Rockefeller criou um programa de atividades de mídia e culturais para melhorar a imagem do Brasil nos Estados Unidos e vice-versa.
O OCIAA de Nelson Rockefeller “commissioned propaganda but also brokered entertainment industry exchanges, in which Carmen Miranda became a touchstone.”
Tota dá ênfase aos aspectos mais glamourosos desta história, como as viagens culturais de artistas e escritores americanos ao Brasil, além do sucesso de Carmen Miranda e outros artistas brasileiros “na terra de Tio Sam, no espírito da ‘boa vizinhança.’”
Durante a década de 1940, a CBS contribuiu para as iniciativas culturais do OCIAA ao estabelecer a Orquestra Pan-Americana da CBS para exibir artistas musicais proeminentes tanto da América do Norte quanto da América do Sul.
O caso mais emblemático é o de Carmen Miranda, que foi aos EUA e se tornou símbolo dessa política de intercâmbio cultural.
À época, a cantora Carmen Miranda foi aos EUA trabalhar em alguns filmes produzidos pela 20th Century Fox. Com isto, Carmen passou a ser uma das principais representantes do Brasil e do povo brasileiro no país vizinho.
Referências doutrinárias fundamentais para o CACD
- TOTA, Antonio Pedro. O Imperialismo Sedutor: a americanização do Brasil na época da Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
- MOURA, Gerson. Tio Sam Chega ao Brasil: a penetração cultural americana. RJ: Brasiliense.
- MOURA, Gerson. Autonomia na Dependência: a política externa brasileira de 1935 a 1942. RJ: Nova Fronteira, 1980.
Em síntese, a afirmativa descreve com precisão a atuação do OCIAA como principal instrumento de projeção do soft power norte-americano no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, utilizando a difusão cultural como vetor estratégico — o que incluía, sim, levar artistas brasileiros para apresentações e trabalhos nos Estados Unidos, num fluxo de mão dupla que consolidava a influência cultural estadunidense no hemisfério.
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