ERRADO.
A afirmativa contém erros graves tanto de conceituação quanto de cronologia. Vamos analisá-los de forma didática:
1. Confusão entre Irredentismo e Risorgimento
O movimento que permitiu (ou melhor, que conduziu) o processo de unificação da Itália foi o Risorgimento — um amplo movimento político, cultural e militar que se desenvolveu ao longo do século XIX e culminou com a proclamação do Reino da Itália em 1861, completando-se com a tomada de Roma em 1870.
O Irredentismo (Italia irredenta = “Itália não redimida/não resgatada”), por outro lado, é um movimento posterior à unificação. Ele surgiu após 1861/1870, reivindicando a incorporação de territórios de população e cultura italiana que haviam ficado fora das fronteiras do novo Estado nacional — notadamente o Trentino (Tirol do Sul), Trieste, Ístria, Dalmácia, Nice e Córsega, em sua maioria sob domínio do Império Austro-Húngaro.
Portanto, o irredentismo não “permitiu” a unificação; ele é, na verdade, uma consequência dela — surge justamente porque a unificação foi considerada incompleta.
2. Irredentismo e a unificação alemã: inexistência de nexo causal
A afirmação de que o irredentismo italiano “contribuiu decisivamente para a unificação alemã” é incorreta. A unificação alemã foi conduzida essencialmente pela Prússia, sob a liderança do chanceler Otto von Bismarck, por meio de uma política de “sangue e ferro” (Blut und Eisen), que envolveu três guerras decisivas:
- Guerra dos Ducados contra a Dinamarca (1864);
- Guerra Austro-Prussiana (1866);
- Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), que culminou na proclamação do Império Alemão (Deutsches Reich) no Palácio de Versalhes em janeiro de 1871.
Embora haja pontos de contato entre os processos de unificação italiano e alemão — por exemplo, a aliança ítalo-prussiana de 1866 contra a Áustria (que permitiu à Itália incorporar o Vêneto) —, essa cooperação se deu no contexto do Risorgimento, e não do irredentismo. Além disso, a contribuição italiana nesse episódio foi marginal do ponto de vista militar, e não “decisiva” para a unificação alemã.
3. Síntese dos erros da afirmativa
| Elemento da afirmativa |
Problema |
| “Irredentismo permitiu a unificação da Itália” |
Erro cronológico e conceitual: o irredentismo é posterior à unificação; o movimento correto seria o Risorgimento. |
| “Contribuiu decisivamente para a unificação alemã” |
Erro factual: o irredentismo italiano não teve qualquer papel relevante na unificação alemã, que foi um processo conduzido pela Prússia de Bismarck. |
Referências doutrinárias úteis para o CACD
- Eric Hobsbawm, A Era do Capital (1848-1875) e Nações e Nacionalismo desde 1780 — obras fundamentais para compreender os nacionalismos do século XIX.
- Christopher Clark, Iron Kingdom: The Rise and Downfall of Prussia — sobre o papel prussiano na unificação alemã.
- Denis Mack Smith, Il Risorgimento Italiano — referência clássica sobre a unificação italiana.
- José Jobson de Andrade Arruda e outros manuais de História Geral voltados para concursos diplomáticos.
A banca do CACD (CESPE/CEBRASPE ou IADES) frequentemente explora esse tipo de confusão conceitual entre Risorgimento e Irredentismo, bem como falsas relações causais entre processos históricos distintos. Fique atento!
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