Enunciado:
Em economias abertas, choques de confiança e alterações no prêmio de risco podem afetar fluxos de capitais e pressionar a o uso de juros. A resposta de política econômica — incluindo-se fatores, o regime cambial vigente e das restrições impostas pelo grau de mobilidade de capitais. Ademais, distinções conceituais entre taxa de câmbio nominal e taxa de câmbio real são relevantes para analisar preços relativos e competitividade, assim como para discutir mecanismos de transmissão do câmbio para a inflação. Acerca de macroeconomia aberta, regime cambial e determinação da taxa de câmbio, julgue os itens subsequentes.
Texto do item:
Uma taxa de câmbio real definida por q = EP*/P (em que E é a moeda nacional por moeda estrangeira, P* = nível de preços doméstico e P* = nível de preços externo) em trajetória ascendente ao longo do tempo indica, ceteris paribus, aumento da competitividade-preço das exportações do país.
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CERTO
Análise da afirmação
1. Interpretação da fórmula e convenção adotada
A fórmula apresentada é:
q = \frac{E \cdot P^*}{P}
Há um erro de digitação evidente no enunciado (que atribui P^* tanto ao nível de preços doméstico quanto ao externo), mas pela convenção-padrão da literatura de macroeconomia aberta — utilizada por Krugman & Obstfeld (Economia Internacional), Blanchard (Macroeconomia) e Mankiw (Macroeconomia) — a interpretação correta é:
| Variável |
Significado |
| E |
Taxa de câmbio nominal (unidades de moeda nacional por unidade de moeda estrangeira) — cotação do incerto |
| P^* |
Nível de preços externo (estrangeiro) |
| P |
Nível de preços doméstico |
Essa é a chamada cotação do incerto (ou indirect quotation invertida), amplamente utilizada no Brasil: quando E sobe, a moeda nacional se deprecia nominalmente.
2. Significado econômico de q ascendente
Quando q aumenta ao longo do tempo, temos uma depreciação real da moeda doméstica. Isso pode ocorrer por:
- Aumento de E: depreciação nominal (mais reais por dólar);
- Aumento de P^*: inflação externa mais elevada;
- Redução de P: queda relativa dos preços domésticos.
Em todos esses cenários, o efeito é o mesmo: os bens domésticos tornam-se relativamente mais baratos em comparação com os bens estrangeiros, quando convertidos na mesma moeda.
3. Implicação para a competitividade das exportações
Se os produtos nacionais ficam relativamente mais baratos frente aos estrangeiros, as exportações do país ganham competitividade-preço. Consumidores estrangeiros conseguem adquirir mais bens do país com a mesma quantidade de sua moeda, estimulando a demanda por exportações.
Essa é a lógica fundamental por trás da condição de Marshall-Lerner e da curva J: uma depreciação real tende a melhorar o saldo da balança comercial (desde que as elasticidades-preço das exportações e importações somem mais que 1 em valor absoluto).
4. Referências doutrinárias
- Blanchard (Macroeconomia, cap. sobre economia aberta): define a taxa de câmbio real exatamente como \varepsilon = EP^*/P e afirma que um aumento de \varepsilon (depreciação real) torna os bens domésticos mais competitivos.
- Krugman & Obstfeld (Economia Internacional): utilizam a mesma formulação e associam depreciação real ao ganho de competitividade externa.
- Mankiw (Macroeconomia): apresenta a taxa de câmbio real como indicador de preços relativos entre dois países, com a mesma conclusão.
5. Conclusão
A afirmação está correta: uma trajetória ascendente de q = EP^*/P representa uma depreciação real da moeda doméstica, o que, ceteris paribus, aumenta a competitividade-preço das exportações do país, ao tornar os bens nacionais relativamente mais baratos no mercado internacional.
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