CERTO.
Explicação Didática
A afirmativa descreve um dos mecanismos mais clássicos e bem estabelecidos da macroeconomia aberta. Vamos decompor o raciocínio passo a passo.
1. O que é o “risco-país”?
O risco-país (ou prêmio de risco soberano) reflete a percepção dos agentes econômicos — especialmente investidores internacionais — sobre a probabilidade de um país não honrar suas obrigações ou de que o ambiente macroeconômico se deteriore significativamente (instabilidade política, fiscal, institucional etc.). Indicadores como o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo J.P. Morgan, são comumente usados para mensurar esse risco.
2. A Paridade Descoberta da Taxa de Juros (UIP) com Prêmio de Risco
O ponto de partida teórico é a Paridade Descoberta da Taxa de Juros (Uncovered Interest Parity — UIP), modificada para incluir o prêmio de risco:
i = i^* + \frac{E^e - E}{E} + \rho
Onde:
- i = taxa de juros doméstica
- i^* = taxa de juros internacional
- E^e = taxa de câmbio esperada futura
- E = taxa de câmbio corrente (cotação do incerto: R$/US$)
- \rho = prêmio de risco-país
Essa condição de arbitragem nos diz que, para que os investidores sejam indiferentes entre manter ativos domésticos e estrangeiros, o retorno doméstico deve compensar:
- O retorno externo (i^*);
- A expectativa de variação cambial;
- O risco associado ao país (\rho).
3. A Cadeia Causal descrita na afirmativa
A afirmativa descreve a seguinte sequência:
Crise de confiança → ↑ risco-país (↑ρ) → saída de capitais → pressão de depreciação cambial
Vejamos por quê:
Etapa 1 — Elevação do risco-país (\rho sobe):
Uma crise de confiança (seja por deterioração fiscal, instabilidade política, risco de default etc.) eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores para manter ativos denominados na moeda doméstica.
Etapa 2 — Saída de capitais:
Com \rho mais elevado, os ativos domésticos tornam-se menos atrativos em termos de retorno ajustado pelo risco. Os investidores internacionais (e até domésticos) realocam seus portfólios em direção a ativos estrangeiros considerados mais seguros (flight to quality ou flight to safety). Isso gera saída líquida de capitais (déficit na conta financeira do balanço de pagamentos).
Etapa 3 — Pressão de depreciação cambial:
A saída de capitais implica aumento da demanda por moeda estrangeira (dólares) e aumento da oferta de moeda doméstica (reais) no mercado de câmbio. Pela lei de oferta e demanda no mercado cambial, o preço da moeda estrangeira sobe — ou seja, a taxa de câmbio nominal se deprecia (o câmbio E, na cotação do incerto, aumenta).
Formalmente, pela UIP: se \rho sobe e i não se ajusta instantaneamente na mesma magnitude, o equilíbrio exige que E aumente (depreciação), de modo que a expectativa de apreciação futura (E^e - E menor ou negativo) restabeleça a condição de paridade.
4. Referências Doutrinárias
- Blanchard (2017) — Macroeconomia, caps. sobre economia aberta: discute extensamente como variações no prêmio de risco afetam os fluxos de capitais e a taxa de câmbio.
- Krugman, Obstfeld & Melitz — Economia Internacional: tratam do papel da UIP e da aversão ao risco na determinação da taxa de câmbio.
- Modelo Mundell-Fleming estendido: em versões que incorporam prêmio de risco, um aumento de \rho desloca a curva de equilíbrio do mercado de câmbio, gerando depreciação (no regime flutuante) ou perda de reservas (no regime fixo).
- No contexto brasileiro, episódios como a crise de confiança de 2002 (pré-eleição), 2015-2016 (crise fiscal/política) e o taper tantrum de 2013 ilustram precisamente esse mecanismo.
5. Conclusão
A relação ↑ risco-país → saída de capitais → depreciação cambial é uma das proposições mais consensuais da macroeconomia aberta, tanto teórica quanto empiricamente. A afirmativa está perfeitamente alinhada com a teoria convencional e com a evidência empírica de economias emergentes.
Gabarito: CERTO. 
Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.