ERRADO.
A primeira parte da afirmativa é correta: a Guerra do Paraguai (1864-1870) de fato fez emergir o Exército como ator político de peso, e esse protagonismo militar foi decisivo para o golpe republicano de 15 de novembro de 1889. O problema está na segunda parte da assertiva, que comete um erro histórico grave ao afirmar que, após os governos de Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894), os militares teriam se “recolhido aos quartéis” e se “abstido de atuação política” durante a República Velha.
Isso é frontalmente incorreto. Vejamos por quê:
1. Hermes da Fonseca e a “Política das Salvações” (1910-1914)
O próprio fato de o Marechal Hermes da Fonseca ter sido eleito presidente da República em 1910 já desmente a tese de abstenção militar. Seu governo promoveu a chamada Política das Salvações, que consistiu em intervenções federais (com forte participação militar) em diversos estados do Nordeste para derrubar oligarquias locais, numa clara demonstração de ativismo político-militar.
2. O Tenentismo (década de 1920)
O movimento tenentista foi a mais contundente manifestação do engajamento político militar na República Velha. Jovens oficiais do Exército — os “tenentes” — protagonizaram uma série de revoltas contra o domínio oligárquico e a corrupção eleitoral:
- Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (1922): levante no Rio de Janeiro, considerado o marco inicial do tenentismo.
- Revolução Paulista de 1924: levante liderado pelo general Isidoro Dias Lopes que ocupou São Paulo por semanas.
- Coluna Prestes (1925-1927): marcha de cerca de 25.000 km pelo interior do Brasil, liderada por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, com o objetivo de denunciar as mazelas da República oligárquica.
3. Participação militar na Revolução de 1930
Os militares foram peça-chave na Revolução de 1930 que pôs fim à República Velha. Muitos tenentes aderiram ao movimento aliancista de Getúlio Vargas, e foi um golpe militar (o afastamento de Washington Luís por uma junta de generais) que efetivamente encerrou a Primeira República.
Referências doutrinárias
A historiografia clássica sobre o período — como as obras de José Murilo de Carvalho (Forças Armadas e Política no Brasil, 2005; Os Bestializados, 1987), Boris Fausto (História do Brasil, 2006) e Edgard Carone (A República Velha, 1970) — é unânime em demonstrar que os militares nunca se mantiveram plenamente afastados da política durante a República Velha. O que houve foi uma hegemonia civil-oligárquica (especialmente com a “política do café com leite” e a política dos governadores), mas os militares atuaram de forma recorrente como contraponto a essa ordem, ora por dentro do sistema (caso de Hermes da Fonseca), ora por fora (caso do tenentismo).
Conclusão
A afirmativa está ERRADA porque a premissa de que os militares tiveram “tímida atuação” e “se abstiveram de atuação política” na República Velha é historicamente insustentável. Ao contrário, a participação militar foi constante e crescente ao longo de todo o período, culminando na própria derrubada do regime em 1930. Trata-se de uma “pegadinha” clássica de prova de concurso: a banca mistura uma premissa verdadeira (a emergência política do Exército pós-Guerra do Paraguai) com uma conclusão falsa (a suposta abstenção militar posterior) para testar o conhecimento aprofundado do candidato.
Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.