CERTO
A afirmativa está correta e é amplamente sustentada pela historiografia brasileira. Vamos analisar didaticamente cada elemento:
1. Os levantes de 1922 e 1924 como eventos do Tenentismo
Os movimentos tenentistas foram: a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922, a Revolta Paulista de 1924, a Comuna de Manaus de 1924 e a Coluna Prestes entre os anos de 1925 e 1927.
O Tenentismo foi, conforme o verbete do Atlas Histórico da FGV-CPDOC (de autoria de Maria Cecília Spina Forjaz),
um movimento político-militar que se desenvolveu durante o período de 1920 a 1935, aproximadamente, sob a liderança dos “tenentes”, e constituiu um dos principais agentes históricos responsáveis pelo colapso da Primeira República.
2. “Ainda que derrotados”
Os dois levantes foram, de fato, derrotados militarmente:
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1922 (Revolta dos 18 do Forte de Copacabana):
A Revolta dos 18 do Forte ocorreu no Rio de Janeiro e simbolizou a primeira grande ação tenentista, revelando a insatisfação com a eleição presidencial contestada. Apesar do fracasso militar, o episódio ganhou repercussão nacional.
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1924 (Revolta Paulista):
Em 1924, a cidade de São Paulo tornou-se palco de intensa insurreição armada. Além disso, o movimento contou com apoio de setores civis descontentes. Embora reprimida, a revolta expôs fragilidades do Estado republicano.
3. Forte influência na Revolução de 1930
A influência do Tenentismo sobre a Revolução de 1930 é um ponto pacífico na historiografia.
O tenentismo está inserido no processo de crise da sociedade agroexportadora e do Estado oligárquico no Brasil que culminou com a Revolução de 1930. Participando do movimento revolucionário aliado às oligarquias não vinculadas ao café e às classes médias, e contando com o apoio difuso das classes populares urbanas, o tenentismo contribuiu para destruir a hegemonia dos cafeicultores.
Conforme destaca a própria FGV,
os cafeicultores descontentes acabaram se aliando aos outros setores oligárquicos oposicionistas e aos tenentes em torno da Aliança Liberal, e essa união acabaria desembocando na Revolução de 1930.
O programa da Aliança Liberal inclusive incluía a
anistia aos revolucionários de 1922, 1924 e 1926
, demonstrando o grau de vinculação entre os tenentes e o movimento que culminou no golpe de 1930.
4. Influência sobre o Regime Militar de 1964
Este é o ponto mais sutil da questão, mas que a banca considerou correto — e com razão. A conexão entre o Tenentismo e o Golpe de 1964 é sustentada por pelo menos dois eixos:
a) Conexão pessoal/biográfica:
Em 1964, quase todos os comandantes militares do golpe militar de 1964 haviam sido na juventude ex-tenentes durante a década de 1920, como Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel, Eduardo Gomes, Humberto de Alencar Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici, Juracy Magalhães e Juarez Távora.
b) Continuidade ideológica reivindicada:
Após o movimento político-militar de março de 1964, surgiu um novo debate relativo ao tenentismo, em parte originado de declarações constantes dos líderes revolucionários (quase todos ex-participantes do movimento tenentista) considerando a atual revolução como o amadurecimento e até mesmo a concretização da revolução dos tenentes.
É importante registrar que, do ponto de vista acadêmico, há debate sobre a profundidade dessa vinculação:
Historiadores e cientistas sociais mais uma vez se dividem, pois uns aceitam e outros negam possíveis vinculações históricas, ideológicas ou políticas entre esses dois movimentos militares.
Contudo, a afirmativa da questão fala em “influência”, e não em identidade ou continuidade direta, o que é suficientemente sustentável pela historiografia.
Referências doutrinárias relevantes
- Boris Fausto (A Revolução de 1930: Historiografia e História; História do Brasil) — obra fundamental sobre a crise da Primeira República e as conexões entre tenentismo e 1930.
- Maria Cecília Spina Forjaz (Tenentismo e Política) — referência clássica sobre a relação entre tenentismo e camadas médias urbanas.
- FGV-CPDOC (Atlas Histórico do Brasil, verbete “Tenentismo”) — sintetiza a participação dos tenentes como um dos agentes centrais do colapso da República Velha e sua projeção posterior.
- José Murilo de Carvalho (Forças Armadas e Política no Brasil) — analisa o papel dos militares na vida política brasileira ao longo da República.
Em suma, a assertiva está correta ao afirmar que os levantes de 1922 e 1924, embora derrotados, tiveram forte influência tanto na Revolução de 1930 quanto em movimentos militares futuros, incluindo o regime instaurado em 1964.
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