Questão 8 item 6 - (História do Brasil - 1a Fase - CACD 2024). A conhecida expressão do jornalista Aristides Lobo

Enunciado:

A crítica à política externa foi arma utilizada pela campanha republicana com o objetivo de desmoralizar o regime monárquico. As intervenções na região do rio da Prata e a Guerra do Paraguai foram temas atacados frequentemente por republicanos, a exemplo de Silva Jardim, Saldanha Marinho e Quintino Bocaiuva.

Relativamente à queda do Império e à Primeira República (1889-1930), julgue os itens que se seguem.

Texto do item:

A conhecida expressão do jornalista Aristides Lobo, em artigo de jornal publicado dois dias depois do 15 de novembro de 1889 (“o povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”), é considerada uma síntese, por aqueles que defendem essa tese, do caráter de golpe militar do acontecimento que instaurou o regime republicano no Brasil.

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CERTO.

A afirmativa é substancialmente correta em seu conteúdo histórico e na interpretação historiográfica que apresenta. Vejamos os principais elementos:


1. Aristides Lobo e a autoria do artigo

Aristides da Silveira Lobo (Cruz do Espírito Santo, 12 de fevereiro de 1838 — Barbacena, 23 de julho de 1896) foi um jurista, político e jornalista republicano e abolicionista brasileiro, ao tempo do Império.
A afirmativa o qualifica corretamente como jornalista.

2. O artigo e a célebre expressão

Ficou notabilizado pelo artigo que escreveu no Diário de São Paulo, em 18 de novembro de 1889, no qual dizia que a República fora proclamada no Brasil sem nenhuma participação popular: "O povo assistiu àquilo tudo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.

Muitos acreditavam seriamente estar vendo uma parada".

A citação reproduzida na afirmativa é, portanto, fiel ao conteúdo original.

3. Data de publicação: “dois dias depois”?

Aqui há um ponto que merece atenção.
O artigo foi escrito na própria tarde de 15 de novembro de 1889 e veio à luz na edição do dia 18.
Ou seja, a publicação ocorreu em 18 de novembro, o que representa três dias após o 15 de novembro, e não “dois dias” como afirma o enunciado.
Em 18 de novembro de 1889, 3 dias após a derrubada de D. Pedro 2º pelos militares, o jornalista republicano Aristides Lobo escreveu, num célebre artigo publicado no jornal Diário Popular, que não houve povo nesse episódio histórico.

Embora essa imprecisão numérica exista, ela não compromete o núcleo da assertiva, que é a interpretação historiográfica da frase como síntese do caráter de golpe militar. Em provas do tipo CESPE/CEBRASPE, o foco da questão recai sobre a tese historiográfica, não sobre a exatidão do intervalo de dias.

4. A interpretação como síntese do “golpe militar”

Este é o cerne da questão, e está correto. A frase de Aristides Lobo é amplamente utilizada pela historiografia como evidência do caráter elitista e militar da Proclamação da República, evento que se deu sem participação popular significativa.

A obra clássica de José Murilo de Carvalho, Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi (1987) —
referenciada como fonte no verbete do Arquivo Nacional sobre Aristides Lobo
— é a principal referência doutrinária que desenvolve essa tese. Carvalho utiliza a expressão de Lobo como ponto de partida para analisar a ausência de cidadania ativa e participação popular na fundação do regime republicano.

Aristides Lobo, o jornalista que descreveu o povo assistindo “bestializado” ao golpe de Estado de 1889, elegeu-se deputado pelo Distrito Federal e participou da elaboração da Constituição de 1891.
Note-se que a própria imprensa qualificada utiliza o termo “golpe de Estado” para se referir ao 15 de novembro, exatamente no sentido apontado pela questão.

O artigo ficou tão famoso já na época que, no Congresso Constituinte, ele ouviu colegas avaliando que o adjetivo “bestializado” era exagerado e jurando que o povo havia, sim, ajudado a derrubar a Monarquia.
Isso demonstra que a polêmica sobre a participação popular já existia desde a época, o que reforça que a tese do “golpe militar” é uma corrente interpretativa reconhecida.

Síntese

Elemento da afirmativa Avaliação
Aristides Lobo era jornalista :white_check_mark: Correto
Publicou artigo de jornal após o 15/11/1889 :white_check_mark: Correto (publicado em 18/11)
“Dois dias depois” :warning: Impreciso (foram 3 dias), mas não invalida a assertiva
A citação reproduzida é fidedigna :white_check_mark: Correto
A expressão é considerada síntese do caráter de golpe militar :white_check_mark: Correto — tese consagrada por José Murilo de Carvalho

Conclusão: O item está CERTO. A expressão de Aristides Lobo é, de fato, um dos documentos mais citados pela historiografia brasileira como evidência de que a Proclamação da República foi um evento conduzido por militares, sem engajamento popular, configurando o que muitos historiadores classificam como golpe militar. A pequena imprecisão sobre o número de dias não altera o sentido histórico da afirmação.


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