Questão 14 item 77 - (História Mundial - 1a Fase - CACD 2026). No âmbito da literatura marxista, a reflexão sobre

Enunciado:

No mundo acadêmico de língua inglesa, os debates em torno do conceito de Early Modern History passaram a ser mais consensuais alguns anos à frente, prova de que a periodização não é apenas uma questão central, mas também mais sensível da historiografia. Até hoje, não se estabeleceu um consenso absoluto no que diz respeito aos marcos cronológicos dessa época. De modo análogo, o início do período designado como Late Modern, ou simplesmente Modern, costuma ser marcado em mais de um momento: meados do século XVIII, com o Iluminismo ou, mais tardiamente, com os acontecimentos e consequências da Revolução Francesa, entendidos em geral como o pilar político e intelectual da Modernidade; na virada do século XVIII para o século XIX, ainda com a primeira Revolução Industrial e o começo da guinada hegemônica do capitalismo, focando, assim, nas transformações socioeconômicas; ou somente após as primeiras décadas do século XIX, quando já se anunciavam as feições políticas dos Estados-nação e as garras do imperialismo, ou quando os resquícios do regime feudal desapareciam de fato.
Como se pode ver, a variedade de termos e balizas cronológicas na criação de um período é resultado de uma operação historiográfica que convida historiadores e historiadoras, leitores e leitoras a investigar o vigor ou a tibieza do passado histórico na definição do tempo presente.

André de Melo Araújo et al (org.). A Época Moderna. Uma introdução. In: A Época Moderna. Petrópolis, RJ: Vozes, 2024, p. 13 (com adaptações)

Julgue os itens a seguir, a partir do texto precedente.

Texto do item:

No âmbito da literatura marxista, a reflexão sobre modos de produção integra aspectos econômicos, políticos e sociais, compreendendo a relação entre capital e trabalho como elemento-chave para a definição do capitalismo.

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CERTO

Explicação didática

A afirmativa está correta e reflete com precisão um dos pilares fundamentais da teoria marxista. Vamos analisar por partes:

1. Modos de produção como categoria totalizante

Na tradição marxista, o conceito de modo de produção nunca foi reduzido a uma dimensão puramente econômica. Desde Marx, especialmente em obras como O Capital (1867) e nos Grundrisse (1857-1858), o modo de produção é compreendido como uma totalidade que articula:

  • A base econômica (infraestrutura): as forças produtivas (meios de produção + força de trabalho) e as relações de produção (relações sociais que os homens estabelecem entre si no processo produtivo);
  • A superestrutura: as instituições políticas (Estado, direito) e as formas ideológicas (religião, filosofia, cultura) que se erguem sobre aquela base.

Portanto, a afirmativa está correta ao dizer que a reflexão marxista sobre modos de produção “integra aspectos econômicos, políticos e sociais”. Marx jamais concebeu o modo de produção como algo estritamente econômico — embora a economia ocupe papel determinante (“em última instância”, como depois qualificaria Engels em sua célebre carta a Bloch, de 1890).

2. A relação capital-trabalho como elemento-chave do capitalismo

Este é o núcleo da análise marxista do capitalismo. Para Marx, o que define especificamente o modo de produção capitalista é a relação entre:

  • O capitalista (proprietário dos meios de produção), e
  • O trabalhador assalariado (que, desprovido dos meios de produção, vende sua força de trabalho como mercadoria).

Dessa relação emerge o conceito de mais-valia (Mehrwert), isto é, a parcela de valor produzida pelo trabalhador que é apropriada pelo capitalista. É essa relação de exploração — mediada pela forma salarial — que constitui o elemento-chave para a definição do capitalismo na literatura marxista.

3. Conexão com o texto-base

O texto de André de Melo Araújo et al. menciona, entre os marcos possíveis para o início do período Late Modern, a primeira Revolução Industrial e o começo da guinada hegemônica do capitalismo, focando “nas transformações socioeconômicas”. Essa é precisamente uma das leituras que dialogam com a perspectiva marxista: a transição para a modernidade estaria ligada à consolidação do modo de produção capitalista, com a generalização do trabalho assalariado, a acumulação primitiva de capital e a dissolução das relações feudais.

Autores marxistas clássicos e contemporâneos — como Eric Hobsbawm (A Era das Revoluções), Perry Anderson (Linhagens do Estado Absolutista), Ellen Meiksins Wood (A Origem do Capitalismo) e Robert Brenner — situam a transição ao capitalismo justamente nessa chave analítica, em que a relação capital-trabalho é o critério definidor.

Conclusão para o CACD

A banca do CACD frequentemente cobra a compreensão de que o marxismo oferece uma leitura estrutural e totalizante da história, na qual os modos de produção não são meras categorias econômicas, mas articulações complexas entre economia, política e sociedade. A relação capital-trabalho (e a exploração dela derivada) é, de fato, o elemento-chave que distingue o capitalismo dos demais modos de produção na tradição marxista. O item está, portanto, CERTO.


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Como essa questão pode ter o gabarito preliminar errado??

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