CERTO.
A afirmativa está correta ao descrever o conceito de “Era das Revoluções” como um período que abarca processos revolucionários distintos, mas interligados, no contexto da Época Moderna Tardia. Vejamos os fundamentos:
1. A expressão “Era das Revoluções” e seu escopo
A expressão foi consagrada sobretudo pela obra clássica de Eric Hobsbawm, The Age of Revolution: 1789–1848 (1962).
O livro, publicado em 1962, introduz o termo “Dupla Revolução” com o principal objetivo de analisar a Revolução Francesa de 1789 e sua contemporânea Revolução Industrial Inglesa, bem como o impacto de ambas na sociedade.
É o primeiro de uma trilogia que mapeia a ascensão do capitalismo no “longo século XIX”, entre 1789 e 1914.
Porém, a expressão não ficou restrita ao enquadramento hobsbawmiano.
O largo período das revoluções do século XVIII já havia sido analisado por Godechot e Palmer como as “revoluções atlânticas”; Hobsbawm, porém, estabeleceu nos conflitos e lutas sociais do período, em particular no impacto da emergência das burguesias, o elemento unificante dessa “era das revoluções”.
Ao longo das décadas, o conceito de Age of Revolutions expandiu-se na historiografia para incluir outras revoluções do período, notadamente a Americana e a Haitiana.
2. As revoluções como processos distintos, mas entrelaçados
A historiografia contemporânea enfatiza exatamente o caráter interligado dessas revoluções:
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Revolução Americana (1775–1783):
O sucesso da Revolução Americana, os ideais do Iluminismo e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão alimentaram esforços revolucionários posteriores, como os que culminaram na independência do Haiti.
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Revolução Francesa (1789–1799):
À medida que crises fiscais e tensões explodiram entre os reinos europeus e suas colônias atlânticas, a retórica iluminista fundiu-se com uma série de levantes populares, criando condições revolucionárias em ambos os lados do Atlântico — resultando, ao fim do século, nas Revoluções Americana, Francesa e Haitiana.
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Revolução Haitiana (1791–1804):
As trajetórias muito diferentes que as duas nações seguiram desde a independência por vezes obscurecem o quanto as Revoluções Haitiana e Americana eram ideologicamente entrelaçadas.
Aprendemos muito sobre ambas se as examinarmos como histórias interligadas dentro da história mais ampla das revoluções atlânticas.
3. Contemporaneidade e enquadramento na Época Moderna Tardia
A afirmativa descreve esses processos como “contemporâneos e coincidentes na Época Moderna Tardia”. Isso é correto por duas razões:
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Contemporaneidade: As três revoluções ocorrem dentro de um arco de aproximadamente trinta anos (1775–1804), pertencendo ao mesmo ciclo revolucionário do Atlântico. Embora não sejam rigorosamente simultâneas, são contemporâneas no sentido historiográfico — pertencem à mesma conjuntura histórica, com sobreposições temporais e causais. A Revolução Francesa foi diretamente influenciada pelo exemplo americano; a Haitiana eclodiu no contexto direto da Francesa.
As causas da Revolução Haitiana incluíam as aspirações frustradas dos affranchis, a brutalidade dos escravizadores e a inspiração da Revolução Francesa.
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Época Moderna Tardia (Late Modern): Conforme o próprio texto-base da questão explicita, o início do período Late Modern pode ser situado em meados do século XVIII (com o Iluminismo), o que coloca todas as três revoluções dentro desse recorte. O texto reconhece que há múltiplas balizas cronológicas possíveis, e sob a mais abrangente delas (meados do séc. XVIII), as Revoluções Americana, Francesa e Haitiana inserem-se confortavelmente na Época Moderna Tardia.
Conclusão
A afirmativa está CERTA. A expressão “Era das Revoluções”, embora originalmente associada à “Dupla Revolução” de Hobsbawm (Francesa + Industrial), é amplamente utilizada na historiografia para designar o ciclo de revoluções atlânticas do final do século XVIII e início do XIX, abarcando a Revolução Americana, a Francesa e a Haitiana como eventos distintos, mas profundamente entrelaçados — exatamente como descrito no item. Essa é a leitura que predomina tanto na tradição das Atlantic Revolutions (Godechot, Palmer) quanto na historiografia mais recente, que incorporou a Revolução Haitiana como peça central desse período.
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