Questão 37 item 162 - (Política Internacional - 1a Fase - CACD 2026). O desmembramento do acordo entre MERCOSUL e UE per

Enunciado:

A política externa da União Europeia (UE) e as relações desse bloco com o Brasil são importantes para a diplomacia brasileira, como mostra a recente negociação e assinatura do Acordo MERCOSUL-UE. Considerando os diversos aspectos desse assunto, julgue os itens subsequentes.

Texto do item:

O desmembramento do acordo entre MERCOSUL e UE permitiu a tramitação, nos parlamentos desses blocos e de seus Estados-membros, do chamado Acordo Provisório de Comércio, o qual enfrenta oposição, que coloca em risco sua aprovação, nas casas legislativas de países de ambos os blocos.

Participe das discussões abaixo gratuitatmente. Caso não tenha conta no ClippingCACD, basta criar uma conta gratuitamtente. Não é necessário assinar para participar.
Fez a prova? Junte-se ao ranking e confira o gabarito em https://depoisdaprova.com.br .

CERTO — com ressalvas importantes na interpretação, mas a banca provavelmente considera a afirmação correta no essencial. Vejamos a análise detalhada:


1. O desmembramento (split) do acordo

A afirmativa acerta ao identificar que houve um desmembramento do acordo negociado entre MERCOSUL e UE.
As negociações foram concluídas em 6 de dezembro de 2024 e resultaram em dois instrumentos paralelos e juridicamente distintos: o Acordo de Parceria UE–MERCOSUL (EMPA), que combina os pilares de diálogo político, cooperação e comércio, e o Acordo Comercial Interino (iTA), contendo os compromissos de comércio e investimento, concebido para ser aplicado antes da entrada em vigor do EMPA.

Para evitar a lentidão burocrática e as dificuldades de aprovação na UE, o tratado foi dividido em duas partes: o Acordo Provisório de Comércio (ITA), focado puramente na redução de tarifas comerciais e que depende apenas do Conselho e do Parlamento Europeu; e o Acordo de Parceria (EMPA), focado na política e cooperação, que exige a aprovação de todos os 27 parlamentos nacionais da UE.


2. A tramitação nos parlamentos

Aqui está um ponto que merece atenção técnica. A afirmação diz que o Acordo Provisório tramita “nos parlamentos desses blocos e de seus Estados-membros”. Isso é parcialmente correto:

  • No lado do MERCOSUL, cada Estado-parte precisa ratificar internamente.
    O texto foi enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional e passou pela Representação Brasileira no Parlamento do MERCOSUL (Parlasul) e pela Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado.

A Argentina, o Brasil e o Uruguai já concluíram o processo e o Paraguai também já ratificou o acordo.

  • No lado da UE, o iTA é classificado como matéria de competência exclusiva da União, e, portanto,
    não requer ratificação por Estados-membros individuais.
    Basta a aprovação do Conselho da UE e do Parlamento Europeu. O EMPA completo, por outro lado, é que exigiria ratificação pelos 27 parlamentos nacionais.

Portanto, rigorosamente, dizer que o Acordo Provisório tramita “nos parlamentos dos Estados-membros” da UE é impreciso para o pilar comercial — ele tramita apenas nas instituições supranacionais da UE. Contudo, a banca pode considerar que a menção aos “parlamentos de seus Estados-membros” se refere corretamente ao lado do MERCOSUL (onde de fato cada parlamento nacional precisa ratificar).


3. A oposição que coloca em risco a aprovação “em países de ambos os blocos”

É neste ponto que a afirmativa se sustenta com mais força:

Oposição no lado europeu:

Em 9 de janeiro de 2026, uma maioria qualificada de Estados-membros no Conselho da UE aprovou o acordo por 21 a 5, com Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votando contra, e a Bélgica se abstendo.

Em 21 de janeiro de 2026, o Parlamento Europeu aprovou uma medida por 334 votos a 324 para pedir ao Tribunal de Justiça da UE que se pronuncie sobre a legalidade da aplicação do acordo antes da ratificação plena por todos os Estados-membros
— o que poderia atrasar o acordo em até dois anos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a aceleração da aplicação provisória do tratado, enquanto agricultores e grupos ambientalistas europeus também manifestaram oposição.

Oposição no lado do MERCOSUL:

Aqui a evidência é mais fraca.
O Senado brasileiro aprovou por unanimidade o Acordo Provisório de Comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia.
Não há registro de oposição legislativa significativa nos países do MERCOSUL que coloque o acordo em risco.


Avaliação Final

A afirmativa contém elementos corretos e relevantes, particularmente:

:white_check_mark: O desmembramento de fato ocorreu e gerou o instrumento chamado Acordo Provisório de Comércio (iTA).
:white_check_mark: Há oposição real e significativa no lado europeu (França, Áustria, Hungria, Irlanda, Polônia, além da consulta ao TJUE).

Contudo, a afirmativa apresenta imprecisões:

:warning: O iTA não precisa ser ratificado pelos 27 parlamentos nacionais da UE — ele tramita apenas no Conselho e no Parlamento Europeu.
:warning: No lado do MERCOSUL, não há evidência de oposição legislativa significativa — o Brasil aprovou por unanimidade, e os demais já ratificaram.

Dito isso, em provas de concurso no estilo CESPE/CEBRASPE (que é a banca do CACD), a expressão “casas legislativas de países de ambos os blocos” pode ser interpretada de forma mais ampla: no lado europeu, o Parlamento Europeu (onde há eurodeputados de vários países votando contra) e, no lado sul-americano, a tramitação efetivamente ocorreu nos parlamentos nacionais. A referência a “oposição que coloca em risco a aprovação” pode ser lida primordialmente em relação à UE, onde o risco é real (consulta ao TJUE, votos contrários no Conselho). A menção a “ambos os blocos” pode refletir o fato de que, em tese, debates internos nos parlamentos do MERCOSUL também existiram (mesmo que aprovados).

Considerando a lógica de bancas de concurso e o contexto geral da questão, a resposta mais provável da banca é CERTO, pois a essência da afirmativa — desmembramento, existência do Acordo Provisório de Comércio e oposição significativa que coloca em risco a aprovação — está correta, ainda que haja nuances técnicas. Porém, se a banca for extremamente rigorosa com a expressão “de ambos os blocos”, poderia considerar ERRADO, já que a oposição legislativa relevante está concentrada apenas no lado europeu.


Comentário automático feito pela inteligência artificial do Clipping.ai apenas para referência. Comentários dos nossos professores virão a seguir.