ERRADO.
A afirmativa contém dois erros graves: um relativo ao histórico do cargo e outro relativo ao procedimento de seleção do Secretário-Geral da ONU. Vamos analisar cada parte:
1. A candidatura de Bachelet: parte CORRETA
A primeira parte da afirmativa está correta.
Em 2 de fevereiro de 2026, os Governos do Chile, do Brasil e do México apresentaram formalmente às Nações Unidas a candidatura de Michelle Bachelet Jeria ao cargo de Secretária-Geral da ONU.
Essa informação consta inclusive do
site oficial da ONU, que registra a carta conjunta referente à nomeação de Michelle Bachelet por Chile, Brasil e México em 2 de fevereiro de 2026.
2. “Segunda mulher” a ocupar o posto: ERRO
Esse é o primeiro erro da questão.
Em 80 anos, nenhuma mulher ocupou a secretaria-geral do organismo mundial.
Caso eleita, Bachelet seria a primeira mulher a chefiar a ONU, e não a segunda. O próprio presidente Lula, ao reafirmar o apoio à candidatura,
destacou que a chilena está preparada para ser a primeira mulher a comandar a ONU.
Os nove Secretários-Gerais da ONU até hoje foram todos homens: Trygve Lie (Noruega), Dag Hammarskjöld (Suécia), U Thant (Birmânia), Kurt Waldheim (Áustria), Javier Pérez de Cuéllar (Peru), Boutros Boutros-Ghali (Egito), Kofi Annan (Gana), Ban Ki-moon (Coreia do Sul) e António Guterres (Portugal). Não há nenhuma mulher nessa lista.
3. “Maioria qualificada no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral”: ERRO
Esse é o segundo erro da afirmativa, que distorce o procedimento previsto na Carta da ONU.
O que diz a Carta (Art. 97):
O único texto orientador, o Artigo 97 da Carta das Nações Unidas, estabelece que “O Secretário-Geral será nomeado pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança.”
Portanto, o procedimento é bifásico, mas não é uma “eleição por maioria qualificada” em ambos os órgãos, como a questão sugere. As imprecisões são as seguintes:
a) No Conselho de Segurança:
Um candidato bem-sucedido deve obter os votos afirmativos de nove dos quinze membros do Conselho de Segurança, incluindo todos os cinco membros permanentes (P5), que têm direito de veto.
Ou seja, mais do que uma simples “maioria qualificada”, trata-se de um mecanismo que inclui o poder de veto dos cinco membros permanentes. Um único voto contrário de EUA, China, Rússia, França ou Reino Unido é suficiente para barrar qualquer candidato.
Para se tornar secretária-geral da ONU, Bachelet precisará do aval do Conselho de Segurança e, consequentemente, da aprovação de Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, os cinco países com poder de veto no órgão.
b) Na Assembleia Geral:
Na última etapa, a Assembleia Geral formalmente nomeia o candidato recomendado como Secretário-Geral. Em todas as seleções exceto a de 1950, a Assembleia Geral votou por aclamação, de modo que o Secretário-Geral é nomeado por unanimidade. Nenhum candidato recomendado pelo Conselho de Segurança jamais foi rejeitado pela Assembleia Geral.
Portanto, na prática, a Assembleia Geral não realiza uma votação por “maioria qualificada”, mas sim aclama (ratifica) o nome recomendado pelo CSNU.
Uma fonte jornalística é ainda mais direta: “O processo não passa pela Assembleia Geral. A decisão será tomada pelo Conselho de Segurança, onde EUA, China e Rússia têm poder de veto.”
Síntese para o candidato ao CACD
| Elemento da afirmativa |
Avaliação |
| Chile, Brasil e México apresentaram a candidatura de Bachelet em início de 2026 |
Correto |
| “Segunda mulher” a ocupar o cargo |
Seria a primeira mulher |
| Eleição por “maioria qualificada” no CSNU e na AGNU |
No CSNU, exige-se maioria de 9/15 sem veto de nenhum P5; na AGNU, a prática consolidada é a aclamação do nome recomendado pelo Conselho |
A questão cobra dois conhecimentos essenciais para o CACD: (i) a história institucional da ONU (nenhuma mulher ocupou o cargo até hoje) e (ii) o mecanismo de seleção do SGNU conforme o Artigo 97 da Carta, que não é uma eleição por maioria qualificada em ambos os órgãos, mas sim uma recomendação do Conselho de Segurança (sujeita a veto) seguida de nomeação pela Assembleia Geral (historicamente por aclamação).
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