ERRADO
Raciocínio Completo
A afirmação comete um erro fundamental ao concluir que a moeda é neutra nesta economia. Vamos destrinchar o modelo passo a passo para demonstrar por que a expansão monetária tem efeitos reais nesta configuração.
1. Construção da Oferta Agregada (com salário nominal rígido)
O ponto-chave está na interação entre a condição de demanda por trabalho e a função de produção, dado que w é fixo e K é constante.
Da condição de equilíbrio no mercado de trabalho:
\frac{w}{P} = F_N(K, N)
Como w é dado (fixo) e K é constante, esta equação estabelece uma relação entre P e N. Diferenciando implicitamente:
-\frac{w}{P^2}dP = F_{NN} \cdot dN \implies \frac{dN}{dP} = -\frac{w}{P^2 \cdot F_{NN}}
Dado que F_{NN} < 0 (rendimentos marginais decrescentes do trabalho), temos:
\frac{dN}{dP} > 0
Ou seja, um aumento no nível de preços P reduz o salário real w/P, o que torna lucrativo para as firmas contratarem mais trabalhadores. Como N aumenta e F_N > 0:
Y = F(K, N) \implies \frac{dY}{dP} = F_N \cdot \frac{dN}{dP} > 0
Conclusão parcial: A curva de Oferta Agregada (AS) é positivamente inclinada no plano (Y, P) — e não vertical. Isso decorre diretamente da rigidez do salário nominal.
2. O lado da Demanda Agregada (IS-LM)
O equilíbrio no mercado de bens (equação 5) e o equilíbrio monetário (equação 6) definem conjuntamente uma curva de Demanda Agregada (AD) no plano (Y, P).
Do equilíbrio monetário:
\frac{M}{P} = m(Y, r)
Um aumento permanente em M, com P inicialmente dado, gera um excesso de oferta de moeda. Isso pressiona a taxa de juros r para baixo. Com r menor:
- O q de Tobin sobe (pois q depende negativamente de r - \pi), estimulando o investimento I;
- A demanda agregada se expande.
Em termos gráficos, a curva AD se desloca para a direita.
3. Novo Equilíbrio: Interseção AD–AS
O novo equilíbrio ocorre na interseção da nova AD (deslocada para a direita) com a AS positivamente inclinada:
| Variável |
Efeito |
| P |
Sobe (mas não proporcionalmente a M) |
| Y |
Sobe |
| N |
Sobe (mais trabalhadores contratados) |
| w/P |
Cai (salário real menor) |
| r |
Cai (no equilíbrio parcial; efeito líquido depende dos parâmetros) |
A moeda não é neutra: ela produz efeitos reais sobre Y, N e w/P.
4. Onde estaria a neutralidade?
A neutralidade da moeda requer a dicotomia clássica, que só se sustenta quando todos os preços nominais (inclusive salários) são perfeitamente flexíveis. Nesse caso, a curva AS seria vertical: um aumento em M deslocaria a AD, mas o ajuste seria inteiramente absorvido por P, sem efeito sobre Y.
No modelo proposto, a rigidez nominal do salário (w dado) quebra a dicotomia clássica. A AS tem inclinação positiva, e variações nominais produzem efeitos reais. Este é um resultado central da macroeconomia keynesiana/novo-keynesiana, amplamente discutido em:
- Blanchard & Fischer (Lectures on Macroeconomics, Cap. 10): modelos com rigidez nominal de salários geram não-neutralidade monetária.
- Olivier Blanchard (Macroeconomia, 7ª ed.): a curva AS é positivamente inclinada quando o salário nominal é rígido.
- Dornbusch, Fischer & Startz (Macroeconomics): o modelo AS-AD com salário nominal fixo mostra que a política monetária tem efeitos reais no curto prazo.
Síntese do Erro da Afirmação
A afirmação erra ao dizer que “um aumento de M é necessariamente neutro”. O raciocínio equivocado implícito é tratar a função de produção Y = F(K,N) como se, com K fixo, Y e N fossem automaticamente fixos. Mas N não é exógeno neste modelo: ele é determinado endogenamente pela condição w/P = F_N(K, N). Com w rígido, uma variação em P altera o salário real e, consequentemente, o emprego e o produto.
Gabarito: ERRADO. Com salário nominal rígido, a curva de oferta agregada é positivamente inclinada, e a expansão monetária eleva tanto P quanto Y e N. A moeda não é neutra nesta economia.
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