ERRADO.
A afirmativa contém duas imprecisões fundamentais que a tornam incorreta, embora traga elementos parcialmente verdadeiros. Vejamos:
1. Jânio Quadros NÃO era da UDN
O primeiro erro está na afirmação de que, com a vitória de Jânio, “a UDN chegava pela primeira vez à chefia do Poder Executivo”.
Jânio Quadros era filiado ao Partido Trabalhista Nacional (PTN)
, e não à UDN.
Na óptica lacerdista, Quadros, apesar de não ser filiado ao partido, encarnava o moralismo político e a ortodoxia econômica defendida pelos udenistas.
Carismático e bastante popular, ele seria a chance de a UDN chegar à Presidência da República pela primeira vez.
Ou seja, a UDN apoiou a candidatura de Jânio, mas ele não era membro do partido.
O PTN lançou a candidatura de Jânio Quadros em aliança com a UDN, o PDC, o PL e uma dissidência do PSB.
A UDN não se encontra entre os partidos aos quais Jânio foi filiado.
A expressão célebre de Afonso Arinos — “Jânio é a UDN de porre” — ilustra justamente esse caráter ambíguo:
Jânio era uma curiosa “bricolage” de elitista e populista, atraindo ao mesmo tempo as classes médias udenistas e amplas bases operárias trabalhistas.
Portanto, não é rigorosamente correto afirmar que a UDN “chegou à chefia do Executivo”. Ela apoiou um candidato vitorioso que não era filiado ao partido e que, na prática, manteve uma postura independente e personalista em relação à legenda.
2. O isolamento de Jânio não se deveu à “insuficiente força” da UDN
O segundo erro está na relação de causalidade estabelecida pela afirmativa. Ela sugere que a UDN não tinha força parlamentar suficiente e que isso teria causado o isolamento do presidente. Na verdade, a UDN era um dos maiores partidos do Congresso (o terceiro, depois de PSD e PTB).
O isolamento de Jânio decorreu das suas próprias atitudes, e não da fraqueza da UDN. Segundo o historiador Marcos Napolitano (USP):
a explicação mais plausível e aceita pela historiografia é que seu estilo personalista, centralista e autoritário entrou em rota de colisão com o parlamento e com as lideranças partidárias que controlavam o Congresso, não apenas com os grupos de centro e de esquerda ligados ao getulismo, mas também com a própria UDN.
Entre os fatores que levaram ao isolamento:
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Política Externa Independente:
Jânio se isolou do próprio partido ao adotar a política externa independente, mantendo neutralidade na Guerra Fria e reatando relações com a União Soviética, o que indignou os políticos udenistas, conservadores e defensores do alinhamento com os EUA.
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Condecoração de Che Guevara:
Embora conservador, lançou as bases de uma política externa de não-alinhamento automático com os EUA, e a condecoração dada a Ernesto Che Guevara causou grande mal-estar nos setores de direita.
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Falta de diálogo com o Congresso:
Jânio não fazia questão nenhuma de manter a cordialidade com o partido que o apoiava — a UDN. Isso levou-o a se isolar politicamente, passando a governar sem o apoio parlamentar.
No âmbito interno, o governo experimentava a ausência de uma base política de apoio: no Congresso dominavam o PTB e o PSD, ao mesmo tempo em que Jânio Quadros afastara-se da UDN, enfrentando a oposição cerrada de Carlos Lacerda.
3. O “final precoce” foi uma manobra deliberada, não simples consequência do isolamento
A renúncia de Jânio em 25 de agosto de 1961 — após apenas 7 meses — não foi simplesmente o resultado mecânico de um isolamento parlamentar.
Cada vez mais isolado, tudo indica que ele tentou uma “cartada final”, renunciando, mas mantendo a expectativa de que os militares e seus eleitores exigissem a sua volta, com a ampliação dos seus poderes.
Os historiadores concordam que seu gesto tinha a intenção de causar uma comoção nacional que o reconduzisse triunfalmente ao cargo com mais poderes — e, de preferência, sem o Congresso para importuná-lo.
Ou seja, a renúncia foi uma tentativa de autogolpe que fracassou, não o desfecho natural de uma falta de apoio parlamentar.
O Congresso não demoraria mais do que duas horas para reunir os parlamentares, ler a renúncia e dar posse provisória ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli.
Síntese
| Ponto da afirmativa |
Avaliação |
| Jânio era da UDN |
Era do PTN; a UDN apenas o apoiou |
| A UDN chegava pela primeira vez à presidência |
Rigorosamente, a UDN apoiou um candidato vitorioso, mas este não era filiado ao partido |
| A “força insuficiente” da UDN causou o isolamento |
O isolamento decorreu das atitudes do próprio Jânio (personalismo, PEI, ruptura com a UDN) |
| O isolamento resultou no final precoce do governo |
A renúncia foi uma manobra política deliberada (tentativa de autogolpe), não mera consequência da falta de apoio |
A banca examinadora do CACD espera que o candidato conheça essas nuances: a não filiação de Jânio à UDN, as causas reais do seu isolamento (autoinfligido) e a natureza deliberada da renúncia como estratégia política fracassada.
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